Falta de experiência e assistência brecou programa
Um dos problemas enfrentados pelo Frutificar, o programa de incentivo à fruticultura do Rio, foi a falta de experiência dos produtores. Muitos dos pequenos proprietários rurais que se lançaram, no início da década, no plantio de maracujá e abacaxi, as duas frutas que ancoraram o programa, tinham origem na pecuária ou na criação de suínos. Além disso faltou assistência técnica, reconhece o secretário da Agricultura de Porciúncula (RJ), Marcos André Dias Jogaib. Ele é um dos "pais" do programa de produção de pêssego introduzido em três municípios do noroeste fluminense.
Jogaib acredita que a experiência no pêssego será diferente. "No pêssego trabalhamos com agricultores de café que têm lavoura o ano inteiro e assistência técnica em tempo integral", diz Jogaib. O produtor de maracujá Paulo Sérgio Miranda de Oliveira, de Miracema (RJ), 70 quilômetros ao sul de Porciúncula, é um exemplo das dificuldades enfrentadas, nos primórdios, pelo Frutificar.
Oliveira planta maracujá há sete anos em propriedade nos arredores da área urbana de Miracema. No início, não sabia nada sobre a fruta. Trabalhava com suínos e gado de leite. "O maracujá é uma cultura nova, que vale a pena, mas tem de aprender a mexer", diz. Segundo ele, os técnicos da Emater e da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Estado do Rio (Pesagro) orientaram o plantio no início, mas o problema estava no dia-a-dia, no manejo, quando os técnicos muitas vezes não estavam por perto.
Diferentemente de outros produtores, Oliveira não enfrentou a fusariose, fungo de solo que quase dizimou o plantio de maracujá no norte e noroeste fluminense. Mas os desafios foram inúmeros. Ensinar os empregados a fazer a polinização dos pés de maracujá, combater a braquiária (tipo de capim) e resolver problemas de funcionamento no sistema de irrigação. Também foi preciso treinar os funcionários para que eles parassem de furar os canos da irrigação na hora de usar a enxada na lavoura.
"Cheguei a tirar 18 mil quilos de fruta em uma semana no primeiro plantio", lembra Oliveira. Ele tem 6 hectares plantados com maracujá, dos quais 1,67 corresponde à área de maior produtividade. Oliveira e um dos filhos vendem a produção de maracujá para indústrias de Rio Bonito e Itaperuna, no Rio, e para quitandas em Miracema. Enquanto a indústria paga entre R$ 0,75 e R$ 0,90 por quilo, os mercadinhos desembolsam cerca de R$ 2 o quilo.
O motivo de preocupação de Oliveira hoje é a maritaca, espécie de periquito que ataca as plantações e destrói as frutas. Oliveira as combate soltando rojões que as espanta. Apesar de ter ganho experiência e continuar a produzir, Oliveira é um dos produtores inadimplentes com o Frutificar, programa que não exige dos produtores garantias reais, como a terra.