Nova missão da UE virá avaliar rastreamento

08/01/2009

Nova missão da UE virá avaliar rastreamento 

 

As autoridades de defesa agropecuária apostam que o sistema sanitário brasileiro está "preparado" para ser submetido ao crivo de uma nova missão veterinária da União Européia, que chegará ao país no próximo dia 20. 

A melhoria no sistema de rastreamento do gado (Sisbov), o aumento no controle de certificação contra fraudes e a criação de uma lista de fazendas habilitadas a exportar à UE devem auxiliar no convencimento dos auditores. Em relatório de março de 2008, uma missão do bloco havia apontado "falhas sistêmicas" e desrespeito a regras básicas no sistema. 

De lá para cá, o Ministério da Agricultura acredita ter "fortalecido" a estrutura com o treinamento de 600 fiscais, delegação aos Estados para fazer auditorias, reequipamento do setor, maior participação do setor privado e melhoria na fiscalização do trânsito doméstico e internacional de animais, além do reforço na vigilância epidemiológica. "Criamos uma estrutura para atender a legislação deles e garantir compatibilidade dos dados", diz o secretário de Defesa Agropecuária, Inácio Kroetz. Mas os auditores da UE devem apertar o cerco nos controles de frigoríficos e órgãos estaduais de defesa. 

Mesmo assim, as autoridades brasileiras estão animadas pelo fim do embargo à carne brasileira, a ampliação dos Estados habilitados para a exportação à UE e o crescimento da lista de fazendas aptas a fornecer gado aos europeus. "Temos nove Estados habilitados [região Sul, Centro-Oeste, Minas e Espírito Santo], inclusive os municípios de Minas Gerais que estavam desde 1996 fora do comércio", diz Kroetz. A lista de fazendas já chegou a 733 habilitações, segundo ele. "E amanhã [hoje] segue outro lote com mais 45 propriedades". 

Nos Estados, também há otimismo, sobretudo porque as deficiências das certificadoras, uma das principais críticas ao Brasil, teriam sido superadas. "O serviço das certificadoras está melhor agora. Não tenho receio, mas se tiver algo que explicar, não será nada complicado", avalia o secretário da Agricultura de Minas Gerais, Gilman Viana, presidente do fórum nacional dos dirigentes estaduais do setor. 

O Estado tem quase metade das fazendas habilitadas à UE. São 337 propriedades. A lista atualizada tem duas fazendas de Mato Grosso do Sul, recentemente reconhecido área livre de febre aftosa pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), 146 de Goiás, 120 de Mato Grosso, 60 do Rio Grande do Sul, 33 de São Paulo, 18 do Paraná e 17 do Espírito Santo. 

A UE embargou a compra de carne bovina brasileira no início de 2008. Em fevereiro, sob forte pressão diplomática, passou a exigir a lista de fornecedores e anunciou as primeiras 106 propriedades habilitadas. Antes, o Ministério da Agricultura havia tentado emplacar uma lista de 2.681 fazendas, prontamente rechaçada pela UE.