Cultivo em área irrigada promete
O pesquisador Paulo Roberto Lopes aponta os resultados promissores dos testes conduzidos com duas variedades do Instituto Agronômico de Campinas (IAC) CV 16.30 e MG 8, que tiveram observações de desempenho agronômico feitas no Campo Experimental de Bebedouro e avaliações da qualidade dos frutos em laboratório da Embrapa Semi-Árido. "Será possível a produção de peras nas condições ambientais do Vale do São Francisco e o cultivo poderá ser manejado para a colheita acontecer no segundo semestre, quando o mercado brasileiro é abastecido por frutas importadas da Argentina, Estados Unidos, Uruguai e Chile", explica.
A segurança tem base no desenvolvimento vegetativo, florescendo e frutificando em quase todos os meses do ano das frutíferas e os bons resultados ampliaram os objetivos da pesquisa: das duas variedades testadas inicialmente, passou-se à implantação de 18 novas cultivares dentre elas algumas das mais cultivadas e comercializadas a nível mundial. Paulo Roberto acredita que comprovada a viabilidade das novas culturas, ainda este ano a Embrapa terá um bom indicativo para poder recomendar o plantio de pera nas áreas irrigadas do Submédio do Vale do São Francisco.
"Este vai ser um passo importante para o agronegócio da região, onde está o maior pólo produtor de frutas para exportação do Brasil, e a pera, com o potencial de mercado que tem, pode se firmar como uma alternativa de cultivo além das culturas tradicionais como a manga e a uva", esclarece.
Comercialização- Ter outras culturas a serem cultivadas e comercializadas na região do Vale pode ajudar os produtores de manga e uva. A tendência de concentração dessas duas frutas está causando problemas de comercialização em determinados meses do ano, principalmente quanto à baixa dos preços de venda.
Segundo Lopes, da Embrapa, a mudança dos negócios para um outro tipo de fruta, até então sem chances de cultivo, pode representar uma oportunidade a mais na busca pela melhoria econômica da região. Para o pesquisador, apostar na pera, por exemplo, é apostar numa fruta que, dentre as comuns em climas temperados, é a terceira mais consumida e importada pelo Brasil e seu consumo atual ultrapassa o número de 150 mil toneladas.
"A produção nacional anda é insignificante e não alcança sequer 10% do total consumido, com concentração de áreas cultivadas no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e São Paulo, onde as colheitas acontecem entre os meses de fevereiro a maio. Daí a experiência de tentar fazer com que o Vale plante e colha no período em que esses estados não estejam produzindo, fazendo com que o País não precise importar a fruta, mas sim produzir o ano inteiro", explica Lopes.
Tendência - O mercado de peras no Brasil pode vir a ser muito favorável e a demanda atual pode crescer, chegando a 300 mil toneladas ao ano, desde que a cadeia produtiva em torno da cultura oferte ao mercado frutos de qualidade a preços competitivos. Para isso, é preciso diversificar as opções de cultivo na região como estratégia para chegar ao mercado com oferta de várias frutas em épocas diferentes do ano. É com esse pensamento que os pesquisadores da Embrapa e a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba (Codevasf) dão andamento ao projeto "Introdução e avaliação de cultivos alternativos para as áreas irrigadas do semi-árido brasileiro".