Milho resistente a seca garante renda no campo

12/01/2009

Milho resistente a seca garante renda no campo


A nova tecnologia de sementes de milho resistente ao estresse hídrico (seca) é a nova aposta da agricultura mundial para ampliar a renda no campo e reforçar a segurança alimentar. O milho de propriedade da Monsanto Company já está na última fase antes da comercialização e estará disponível para venda nos Estados Unidos a partir de 2010. Os problemas deflagrados pela estiagem prolongada são recorrentes no mundo inteiro e atingem países como os Estados Unidos, Brasil e o continente africano, sobrecarregando custos dos produtores e ameaçando a oferta para consumo interno. Os testes realizados pela companhia mostram que a nova tecnologia garante produtividade de 6% a 10% superior à convencional em condições de estiagem. A seca também pode servir como uma porta de entrada e favorecer a proliferação da lagarta do cartucho, a que mais causa estragos na cultura. Por esse motivo, pesquisadores da empresa americana também estudam a introdução de genes com características combinadas, resistente a seca e a vários tipos de insetos.

A data para chegada ao Brasil ainda não foi definida. Mas especialistas acreditam que existe a possibilidade de a tecnologia ser protocolada para avaliação no mesmo ano em que chegar ao mercado americano. No ano passado, a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) aprovou o maior volume de produtos para comercialização da história. O tempo médio para liberação de um Organismo Geneticamente Modificado (OGM) na comissão é de pouco mais de seis meses.

A falta de chuva na região Sul do Brasil foi um dos principais fatores para a redução na estimativa de safra deste ano. Jorge Rodrigues, coordenador da Comissão de Grãos da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), afirma que a nova tecnologia poderia ajudar a coibir parte dessas perdas e abrir novas janelas de produção durante a segunda safra da cultura - conhecida como safrinha e plantada durante o inverno, período considerado crítico.

Segundo dados da associação, o índice de grandes perdas com estiagens nas 10 últimas safras é de 50%. A estimativa é que o estado colha 1 milhão de toneladas do grão a menos, recuando de 5,7 milhões de toneladas para 4,7 milhões de toneladas. "Vamos precisar trazer milho de outros estados para suprir o abastecimento interno", acrescenta Rodrigues.

Paulo Etchutchury, da Somar Meteorologia, explica que os estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul sempre passam por falta de chuva nessa época do ano. "No momento, temos estiagem no oeste do Paraná e sul do Mato Grosso do Sul. Nos próximos dias, a chuva volta ao Rio Grande do Sul, porém isso não compensará o volume de água que o milho perdeu. Porém é importante para a soja".Alda Lerayer, diretora-executiva do Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB), destaca a importância da tecnologia para a segurança alimentar no mundo. "Essas variedades com resistência a seca precisam ser colocadas à disposição o mais rápido possível. Só a biotecnologia conseguirá fazer isso com a rapidez necessária", analisa.

Os entraves ambientais que impediam a evolução das liberações comerciais na CTNBio até o começo do ano passado já não preocupam tanto nessa nova variedade, avalia Cássio Cruz Camargo, secretário-executivo da Associação Paulista dos Produtores de Sementes (Apps). "Não há a questão do prejuízo dos herbicidas no ambiente. É uma tecnologia espetacular e não tenho dúvidas sobre a revolução que causará no mercado brasileiro". Para ele, o maior benefício será sentido no cultivo de inverno, onde a escassez de chuvas é mais intenso. Segundo disse, as incertezas sobre a safrinha devem ser praticamente extintas.

Rodrigues acrescenta que as sementes resistentes a seca ampliariam o potencial de renda no estado. "Isso abriria uma nova janela de produção para o inverno, que ainda é incipiente no Rio Grande do Sul". Camargo afirma que a redução na matriz de custo do produtor fará com que a safrinha ultrapasse o plantio de verão. "Se não fosse o contratempo provocado pela crise mundial, este ano já veríamos isso acontecer. A tecnologia viria reforçar essa tendência".