País exportou 37 mil toneladas de orgânicos entre 2006 e 2008

12/01/2009

País exportou 37 mil toneladas de orgânicos entre 2006 e 2008

 

Segundo informações do ministério, em 2007, as exportações de orgânicos somaram cerca de U$ 12 milhões. De janeiro a setembro de 2008, esse valor chegou a aproximadamente U$ 10 milhões. "Ainda temos três meses de 2008 e com certeza a gente vai superar os U$ 12 milhões exportados no ano anterior. Há interesse do mercado externo em importar soja e seus derivados. A exportação brasileira de produtos orgânicos vem crescendo", destaca a coordenadora substituta de Agroecologia do Ministério da Agricultura, Tereza Christina Saminez.

Entre agosto de 2006 e setembro do ano passado, o Brasil exportou 37 mil toneladas em produtos orgânicos. A Holanda foi o comprador que adquiriu a maior parcela desse total, 32%, seguida da Suécia, com 15%, e dos Estados Unidos e Reino Unido, com 12% e 7%, respectivamente. Ao todo, as exportações no período equivalem a uma receita de US$ 26,7 milhões. Mais da metade desse valor (56%) corresponde à venda da soja e seus derivados. "A soja foi responsável pelo aumento da produção e exportação de produtos orgânicos. Tem tido mercado para ela", afirma Tereza.

Segundo a coordenadora, mesmo sendo mais caros que os produtos convencionais, a demanda pelos orgânicos têm crescido. "A gente não consegue abastecer o mercado interno de produtos orgânicos. A demanda é muito grande e isso também reflete no mercado externo."

DEMANDA É MAIOR QUE OFERTA

A demanda por produtos cultivados sem uso de produtos químicos é cada vez maior, afirmam agricultores que aderiram à utilização de técnicas orgânicas de controle às pragas em suas lavouras. Pioneira na agricultura orgânica no Distrito Federal, a produtora rural Massae Watanabe conta que nos últimos anos a procura por alimentos produzidos sem agrotóxicos aumentou significativamente.

"É preciso chegar de manhã cedo [à feira onde a produção é comercializada] para conseguir comprar as frutas e verduras frescas que plantamos, pois tudo é vendido muito rápido."

A agricultora conta que desde o ano passado tem crescido o número de produtores de orgânicos certificados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. No entanto, a procura continua maior que a oferta. "Tem cliente que briga quando não tem o produto que deseja. Tem gente que não entende que a chuva e outros diversos outros fatores complicam a produção da gente, já que não usamos agrotóxicos."

A preocupação com a saúde e a preservação do meio ambiente foi um dos motivos que levaram Massae a trocar a agricultura convencional pelas técnicas relacionadas à produção orgânica. Inicialmente, ela suspendeu o uso de agrotóxicos de suas plantações. O resultado agradou a Massae de tal maneira que, em 2001, a produtora ajudou a fundar o Mercado Orgânico, uma das maiores associações de agricultores orgânicos da região.

Aos poucos, a propriedade rural dela aderiu a outras técnicas de controle biológico. Um dos métodos que Massae adota para combater pragas e outros inimigos da lavoura sem recorrer a defensores químicos é cultivar também plantas com cheiro e cores atrativas. "Elas chamam a atenção das pragas, livrando as hortaliças dos predadores", explica a agricultora.

A combinação de culturas é outro ponto destacado por Massae, que produz quase 30 tipos de itens, entre hortaliças e frutas. A produção rende de três a sete toneladas mensais. "Utilizo o manejo integrado de forma a criar um ambiente equilibrado. À medida que vamos investindo nesse processo, vemos o equilíbrio do sistema e isso reflete no controle da pragas e doenças", conta a agricultora.

Todos esses cuidados fazem com que o valor dos orgânicos seja um pouco mais elevado do que o dos produtos cultivados em lavouras com métodos convencionais, segundo Massae. "O preço é superior ao do convencional, para manter os custos de produção e também para remunerar o produtor. É também um custo social. O consumidor deve ter a compreensão do que seja um processo dessa natureza", argumenta.

Segundo o produtor orgânico Joe Valle, essa diferença de preços também resulta da falta de pesquisas e tecnologias voltadas à produção de alimentos orgânicos, que leva a um aumento na contratação de mão-de-obra. "Temos 70 empregados, quatro vezes mais do que o número em uma propriedade que lida com a agricultura convencional", aponta Valle, dono da Fazenda Malunga, também localizada no Distrito Federal.

Mas, para ele, o preço alto não intimida os consumidores, que estão mais preocupados com a qualidade da alimentação. "O mercado de orgânicos está crescendo muito, a demanda está grande e as pessoas estão mais preocupadas com a saúde alimentar."

A fazenda produz 150 toneladas de orgânicos por mês, em uma área de 120 hectares. Além de cultivar 40 variedades de hortaliças, a propriedade investe na criação diferenciada de gado. O rebanho é tratado apenas com remédios homeopáticos e é alimentado em pasto orgânico. "A gente diz que a produção orgânica é feita em um tripé: é economicamente viável, ecologicamente correta e socialmente justa", conclui Joe Valle.

FONTE

Agência Brasil