Exportação bate recorde em 2008
As exportações baianas fecharam o exercício 2008 em alta de 17,4%, na comparação com o ano anterior. O desempenho é recorde e reflete a chegada à marca de aproximadamente US 8,7 bilhões em vendas externas no período. A crise financeira internacional, porém, fez estrago no fluxo comercial do Estado nos último trimestre do ano. Apenas para se ter uma ideia, em dezembro, período mais afetado por conta da conjuntura externa, houve queda de 23% nas exportações em relação ao igual período do ano anterior. As informações foram divulgadas ontem pelo Centro Internacional de Negócios da Bahia (Promo), órgão vinculado à Secretaria do Comércio, Indústria e Mineração (SICM).
O gerente de estudos e informações do Promo, Arthur Souza Cruz, observa que a expansão das exportações registradas em 2008 decorreu por conta da valorização, no mercado internacional, dos produtos de maior peso na pauta de vendas externas do Estado - commodities agrícolas e industriais. Ele avalia que a desaceleração econômica, verificada nos últimos três meses do ano, não foi suficiente para dissipar os efeitos da valorização dos produtos básicos observada ao longo de 2008. Cruz chama atenção para o fato de que os principais parceiros comerciais do Estado - EUA, União Europeia e Ásia - enfrentam período de desaceleração econômica. "Inclusive, alguns países que compram nossos produtos devem enfrentar períodos de recessivos", adverte o executivo.
O vice-presidente da Federação das Indústrias da Bahia e coordenador da comissão de comércio exterior da entidade, Reinaldo Sampaio, observa que existe uma sinalização preocupante de que a indústria, de maneira geral, desacelere. "Num contexto de retração da demanda mundial, não há como as exportações brasileiras (e baianas) não serem afetadas", observa Sampaio. Ele afirma que a retração das exportações poderia ser contrabalançada pelo crescimento da demanda interna. "Caso este cenário não se confirme, pode haver redução dos níveis de emprego", prossegue Sampaio.
SETORES - Após investimentos em modernização e ampliação da capacidade produtiva, o ramo de celulose e papel passou a ser o principal segmento exportador do Estado, com vendas de US 1,5 bilhão, um crescimento de 67,5% na comparação com o ano anterior. Segundo dados do Promo, além do setor de papel e celulose, o setor de petróleo e derivados, com vendas de US 1,4 bilhão e crescimento de 35,1%; o das commodities agrícolas, com US 1,6 bilhão e crescimento de 43% sobre 2007, foram os principais responsáveis pelo bom desempenho do setor externo baiano em 2008. Dentre os produtos agrícolas, destaque para o complexo soja (grão, óleo e farelo), que, com vendas de US 750,4 milhões, obteve o maior crescimento da pauta em 2008: 91,2%.
Pelas importações, destaque para o aumento das compras de fertilizantes (125,7%), combustíveis (60,9%) e automóveis (25,4%). As importações do Estado alcançaram cerca de US 6,5 bilhões no acumulado do ano de 2008 (período de janeiro a dezembro). Com esse resultado, o saldo comercial do Estado alcançou US 2,2 bilhões no período, enquanto a corrente de comércio (soma das exportações e importações) alcançou US 15,2 bilhões.