Avicultor busca novos clientes no exterior

14/01/2009

Avicultor busca novos clientes no exterior

 

Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frango (Abef) conta principalmente com a abertura de novos mercados para driblar a crise e encerrar 2009 com um volume embarcado 5% superior ao verificado ano passado, um total de 3,6 milhões de toneladas, resultado 11% superior ao de 2007. A receita obtida com as exportações em 2008 totalizou US$ 6,9 bilhões, 40% a mais em relação ao exercício anterior, mas a entidade prefere não arriscar projeções para este ano em função da imprevisibilidade do câmbio e do comportamento dos preços, que iniciaram uma trajetória de queda no último trimestre.

"Até setembro vínhamos crescendo bem, mas outubro, novembro e dezembro foram meses muito complicados. Vários importadores tentaram renegociação de preços, principalmente países produtores de petróleo, devido à desvalorização da commodity", explica o presidente da Abef e ex-ministro da Agricultura, Francisco Turra. Ele diz que, embora os resultados de 2008 representem recordes, o primeiro semestre do ano não se mostrou lucrativo para as empresas em virtude dos custos elevados e do câmbio e a segunda metade de 2008 foi afetada principalmente pela crise financeira internacional, que levou a queda de demanda, de preços e de crédito para exportação. Mesmo assim o Brasil segue como o maior exportador mundial de carne de frango, responsável por cerca de 40% do comércio internacional.

Índia e China

O crescimento previsto para 2009 deve vir da abertura de novos mercados como a China e a Índia e do aumento das vendas para pequenos mas promissores mercados como Malásia, Irã, Filipinas e Nigéria, entre outros países, que somados também podem ajudar a fazer a diferença este ano. Segundo Turra, existe ainda a possibilidade de melhorar as vendas para países do Oriente Médio, apesar da queda dos preços do petróleo. Outro mercado que o Brasil vai tentar acessar é o México.

Os mexicanos importam para abastecer seu mercado interno cerca de 500 mil toneladas/ano. Deste total, cerca de 95% é suprido pela produção dos Estados Unidos. Os exportadores norte-americanos são beneficiados pelo acordo do Nafta, enquanto os países de fora do bloco tem uma tarifa de importação de 235%. No caso da China, as importações anuais chegam a 700 mil toneladas anuais.

Conforme a Abef, o primeiro trimestre ainda será complicado para os exportadores de frango, mas a entidade acredita que nos meses seguintes o mercado se recupera. Os três meses iniciais, segundo Turra, devem ser de continuidade de preços deprimidos, até com espaço para alguma queda adicional. Conforme dados da Abef, em dezembro o preço médio do quilo exportado era de US$ 1,6, enquanto que em setembro bateu em US$ 2,14. O valor se refere a uma média entre frangos inteiros, cortes e produtos industrializados.

Diante do novo cenário desafiador, a Abef aconselhou as empresas associadas a diminuírem em 20% os alojamentos para reequilibrar oferta e demanda. Turra nega que as empresas estejam preparando demissões em massa, embora não seja possível assegurar a manutenção do nível de emprego caso o cenário continue degradado. "As empresas adotaram férias coletivas e reduziram turnos para evitar demissões. E estas mesmas empresas estão mantendo os projetos de investimentos para este ano".

JBS confina boi na Argentina

O JBS-Friboi, o maior processador de carnes do mundo, anunciou que irá investir em confinamentos de engorda para criação de gado na Argentina. O objetivo do grupo é aproveitar a vantagem dos incentivos concedidos por aquele país para o setor. "O JBS se prepara para ingressar nesse negócio", declarou a companhia com sede em São Paulo, sem fornecer maiores detalhes sobre seus planos no país vizinho. JBS teve "uma experiência bem-sucedida" com o desenvolvimento de confinamentos em outras partes do mundo, informou a empresa.

O volume de carne bovina produzida em confinamentos, onde o gado é engordado para comercialização, mais do que triplicou para 5 milhões de toneladas na Argentina , segundo o informe. Cerca de 40% da carne bovina argentina vem atualmente dos confinamentos, acima de zero nos anos 80, revelou a Câmara de Confinamentos da Argentina.

O país sul-americano promove o setor de confinamentos e fornece incentivos como parte de um plano para elevar a demanda doméstica por soja e milho, utilizados como ração animal.