Pesca ilegal põe em risco a preservação da espécie
Com exceção do tubarão e da raia,omeroéomaiorpeixeósseo domundo,umdosmotivospelos quais ele representa um "troféu" paraquemocaptura e causa tanto fascínio ao seu principal predador: o homem. Acrescenta-se a isso o fato da sua carne ser tão saborosa quanto a do badejo, comoqualtemcertoparentesco, tornando-o uma mercadoria cobiçada e de alto valor comercial.
Os comerciantes de Salvador parecem estar conscientes da proibição e da importância da não comercialização do mero.
Quem circula pelos principais mercados da cidade - Feira de São Joaquim, Mercado Municipal de Frutos do Mar,emÁguade Meninos eMercado de Itapuã - à procura do peixe ouve, em oníssono, a resposta dos feirantes: "'Tá' proibido. Você não encontra em lugar nenhum por aí".
O encarregado administrativo do setor de mercados da Secretaria Municipal de Serviços Públicos (Sesp), Gutemberg Marques, diz que há alguns anos o peixe não é comercializado no Mercado Municipal e que a fiscalização tem sido bastante intensa.
"O órgão (Sesp) vem tendo o compromisso e a preocupação de fiscalizar, de perto, a presença de peixes e mariscos proibidos para o comércio", ressalta.
REGISTROS - Os resultados positivos do embargo da comercialização, transporte e pesca do mero, previsto pela portaria 42/2007 do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), são observados pelo órgão.
Segundo Lívia Karina, analista ambiental de fiscalização do Ibama, não há registros nem apreensão de meros há mais de um ano no Estado. Em 2008, foram cerca de R$ 300 mil em recursos que o Ibama recebeu do governo federal para atuar no combate à pesca predatória em todo o litoral e nos rios federais da Bahia. "O setor de pesca é que mais vem recebendo recursos devido à extensão litorânea da Bahia, com o maior litoral do País", destaca Lívia.
Em meados de 2008, o Ibama ganhou novos reforços na fiscalização.
Um convênio firmado entre o órgão, a Marinha, que oferece as embarcações, e a Petrobras, fornecedora do combustível, intensificou as ações de controle por terra e mar.
"Todo barco da Marinha que sai para fazer fiscalização de fronteira tem também, pelo menos, dois fiscais do Ibama, e isso tem sido uma rotina mensal", acrescenta Lívia.
Apesca domero está proibida até 2010, quando expira a portaria do Ibama, podendo ser renovada.
A multa para quem é pego com mero, ou qualquer outro tipo de espécie que esteja protegida, varia entre R$ 700 e R$ 100 mil, mais R$ 20 por quilo.
DENÚNCIAS-Mesmodiante do cenário de certo respeito pela restriçãodepesca,oprofessorda Universidade Federal da Bahia (Ufba) e membro do projetoMeros do Brasil, Cláudio Sampaio, conta que ainda recebe, quase todomês, informaçõesdecaptura de mero, especialmente na região da Baía de Todos-os-Santos.
Os últimos de que teve notícia tinham, em média, 30 quilos.
Conscientizar os pescadores, diz, ainda é um grande desafio para os ambientalistas, e a falta de uma educação socioambiental é um dos maiores obstáculos na preservação da espécie.
"A pesca do mero é um caso problemático porque esse peixe está muito vivo no imaginário dos pescadores". Além da cobiça humana, as características físicas, biológicas e de personalidade contribuem para sua captura.
"São animais dóceis, receptivos e,naépocadereprodução, vivem em bando em lugares conhecidos pelos pescadores", conta.