Usinas cada vez mais eficientes e lucrativas
É indiscutível que o mercado sucroalcooleiro, assim como diversos outros setores no Brasil e no mundo, sofre com os efeitos da crise atual.
Segundo alguns de seus fornecedores, o volume de cotações de equipamentos de infra-estrutura, por exemplo, caiu desde o início da turbulência econômica. No entanto, os investimentos neste segmento deverão começar a ser retomados em cerca de sete meses, o que pode ser considerado um prazo relativamente curto.
Há várias razões para isso. Uma delas é que a verba destinada para a safra de cana-de-açúcar de 2010 deverá começar a ser gasta no segundo semestre do próximo ano. Outro motivo é a valorização e incentivos que o setor recebeu nos últimos anos por autoridades nacionais e estrangeiras. Junte-se a isso o fato de que 46,4% da matriz energética do País em 2007 provêm de fontes renováveis, segundo os mais recentes dados oficiais disponíveis.
Dentre essas, a cana-de-açúcar é a que tem maior participação nesta cifra, com 16% da oferta de energia.
E, ainda, que o Brasil sustenta a sua demanda interna por etanol e, ao mesmo tempo, é um dos maiores exportadores globais deste biocombustível.
Mais números comprovam que a importância das empresas de açúcar e álcool para a produção energética no Brasil deve crescer ainda mais nos próximos anos. De acordo com a União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica), apenas por meio de co-geração, as usinas produzem 2 mil megawatts, ou 4,5% da matriz de energia, números que deverão crescer para 15 mil megawatts e 15%, respectivamente, no ano de 2020.
Com esta realidade em vista, pode-se afirmar que o mercado sucroalcooleiro estabeleceu como meta buscar soluções para otimizar a eficiência energética de suas plantas produtivas. E a automação de parte da infra-estrutura das mesmas é uma das melhores alternativas para isso por diversas razões. Uma delas é que a verba necessária para aquisição de produtos para viabilizar uma modificação como esta não passa de 18% do custo de uma usina moderna completa, o que pode ser considerado um valor baixo, aspecto fundamental em tempos de investimentos reduzidos. O panorama se torna ainda mais interessante quando dados oficiais do setor mostram que deverão ser gastos US$ 14 bilhões em novas usinas no Brasil pelos próximos seis anos.
Além disso, a automação de usinas sucroalcooleiras pode representar um investimento com rápido retorno e, também, resultar em aumento de receitas. Isso ocorre porque, neste caso, algumas turbinas que funcionam movidas a vapor não são usadas e, consequentemente, uma quantidade de vapor gerada e utilizada pela própria planta de produção deixa de ser necessária para esta finalidade e passa a ser insumo para a cogeração. Com isso, é possível comercializar energia elétrica com as concessionárias. Em outras palavras, a automação da infraestrutura permite que haja um capital energético excedente que pode significar uma fonte de renda extra.
Por fim, adotar uma estrutura automatizada em usinas do gênero permite que os processos sejam controlados e o açúcar e álcool produzidos tenham melhor qualidade, tornando-os ainda mais competitivos no mercado. Ter um produto de qualidade sem que isso demande um investimento vultoso é igualmente importante em tempos de crise, pois contribui para que as vendas de uma empresa alcancem ou permaneçam em bons níveis, evitando ou amenizando eventuais problemas de caixa. Deve-se ressaltar, também, que um sistema com essas características permite uma economia de energia de até 30%, além de uma redução de custos de manutenção e prolongamento de vida útil das máquinas.