No vale, a sigatoka recebe tratamento que merece
Depois de dois anos de pesquisa, os produtores do Vale do São Francisco, no norte do Estado, já podem iniciar o plantio de pelo menos 18 variedades de banana resistentes a doenças como a sigatoka-negra e a sigatoka-amarela. A doença surge com o fungo chamado Mycosphaerella fijiensis Var. Difformis. As pesquisas foram desenvolvidas em área de um hectare dentro do lote de produtor no Perímetro Irrigado Mandacaru II, região de Juazeiro (500 km de Salvador), e os resultados animaram pesquisadores e produtores, com aumento de áreas de cultivo da fruta que, até então, só existia na variedade pacovã.
"Cerca de 80% da banana produzida aqui na região é de pacovã, mas, depois dos resultados da pesquisa, os produtores diversificarão suas culturas", informa José Lins, engenheiro agrônomo e um dos pesquisadores que trabalharam no projeto "Avaliação de Cultivares de Bananeiras Resistentes à Sigatoka Negra na Região do Submédio São Francisco", da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA), em Juazeiro.
De acordo com a pesquisadora Maria Cristina de Mello Rodrigues, o trabalho é de melhoramento genético com testes em campo de variedades livres de doenças como benefício à região. "Além desse trabalho, fizemos testes de sabor, dia de campo com produtores de todos os projetos de irrigação e exposição dos produtos pesquisados em feiras agrícolas para levar ao conhecimento de todos que eles já podem investir em novas variedades de banana na região do Vale", afirma Maria Cristina.
Ciclos - O objetivo do trabalho, segundo os pesquisadores, foi avaliar os novos cultivares de bananeiras resistentes à sigatoka-negra em unidades produtivas, em três ciclos de produção, procedendo a caracterização desses genótipos no que se refere a aspectos produtivos e qualitativos, nas condições ambientais do município de Juazeiro.
"O experimento foi montado em junho de 2006 num delineamento experimental em blocos casualizados com 18 tratamentos com as variedades caipira, maravilha, preciosa, pacovã, ken, garantida, thap maeo, ambrósia, bucanero, calipso, FHIA 02, FHIA 18, tropical, PA 42-44, japira e PV 79-34, resistentes à sigatoka. As cultivares grand naine, prata-anã e pacovã, suscetíveis à sigatoka-negra, foram utilizadas como testemunha no ensaio", esclarece José Lins.
Trabalho - O bananal recebeu tratos culturais recomendados para a cultura e a adubação foi realizada de acordo com o resultado da análise de solo e recomendação para a bananeira. Foram avaliados a altura da planta, o diâmetro do pseudocaule a 30 cm do solo, a data de floração, os filhos emitidos até a floração, os números de folhas vivas na floração e colheita, a data de colheita, o peso do cacho, os números de pencas e frutos, o peso de pencas, o peso médio, o comprimento e o diâmetro do fruto.
A pesquisadora Maria Cristina Rodrigues diz que "as tomadas foram realizadas através das visitas semanais de acompanhamento. As práticas de manejo cultural foram feitas conforme as orientações preconizadas pela EBDA e todas as quadras receberam o mesmo tratamento sem necessidade de controle químico de pragas ou doenças.
Preços - O resultado do projeto e pesquisas bem sucedidas com as bananeiras podem ser vistos pelo entusiasmo do produtor Silvestre Nunes Gonçalves, de 51 anos, que trabalha em sua área de 4,8 hectares.
Hoje, depois do experimento da EBDA, Gonçalves pretende investir em banana e também em maracujá.
"Precisamos comercializar os produtos e aqui os atravessadores estão comprando a R 0,13 cada fruto de banana do tipo tropical, pegando a fruta em nossa área. Não preciso me preocupar com o transporte", afirma o produtor, que consegue preços de R 0,08 e 0,10 por fruto, com bananas-d′água e prata.