Com exportações menores ,safra do Brasil encolherá 7,6%, diz IBGE

06/02/2009

Com exportações menores ,safra do Brasil encolherá 7,6%, diz IBGE


Recuo de preços agrícolas não chegou ao consumidor, dizem especialistas

A queda das exportações e a crise no crédito chegaram ao campo e devem afetar a produção agrícola deste ano acima do esperado. O IBGE revisou ontem para baixo, mais uma vez, sua previsão para a safra de grãos: a produção deverá cair 7,6% em relação à do ano passado. Estima-se que a colheita fique em 134,7 milhões de toneladas em 2009, ante 145,8 milhões em 2008. Até outubro do ano passado, pouco após a piora da crise, a queda era calculada em apenas 3,3%.

Por região, os maiores impactos serão no Sul e no CentroOeste, com expectativas de quedas de 12,7% e 6,3%, respectivamente.

Apenas o Nordeste vai crescer: 4,7%. Apesar da queda na produção, a área plantada no país deverá ser 0,8% maior em 2009 ante a safra anterior, para 47,6 milhões de hectares. Segundo o gerente da pesquisa do IBGE, Mauro Andreazzi, isso deve ocorrer porque os produtores se prepararam, até meados de 2008, para uma colheita maior: - Já se previa queda na produção agrícola por causa das condições climáticas, que não serão tão favoráveis. Mas, sem dúvida, alguns produtos foram afetados pela crise.

Algodão, café, trigo e milho têm as maiores perdas As maiores quedas vão ocorrer nas produções de algodão (16,8%), café (15,9%), trigo (15,5%) e milho (14,8%). Devem crescer as produções de feijão (17,7%) e arroz (2,2%) Ontem, a CONAB divulgou nova previsão para a safra 2008/09.

A colheita será de 134,6 milhões de toneladas, volume 6,5% menor que a safra anterior (144,1 milhões de toneladas) e 1% abaixo da última pesquisa, de janeiro.

Para o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, dependendo do quadro, a redução pode chegar a 8%.

- Apesar da diminuição, a produção é a segunda maior da história - disse WAGNER ROSSI, presidente da CONAB.

A queda dos preços agrícolas ainda não chegou o consumidor.

Segundo a Fecomércio-RJ, os alimentos da cesta de compra no Rio encareceram 1,74% em janeiro. Com a nova alta, os preços ficaram no maior patamar desde 1998. Entre os produtos que ficaram mais caros estão carne bovina (3,41%), linguiça (5,89%) e cenoura (39,42%).

Segundo Gabriel Santini, economista da Fecomércio-RJ, a queda dos preços no campo leva até quatro meses para chegar ao consumidor. Isso deve ocorrer a partir deste mês.

Para o presidente da Bolsa de Gêneros Alimentícios, José da Silva, os preços ainda não caíram porque o varejo está recuperando a margem perdida em 2008.

- E não houve queda na carne porque os pecuaristas seguram o boi no pasto quando a demanda cai - diz Silva.