Exportações baianas têm queda de 52%
Entre setembro de 2008, quando houve o estouro da crise financeira mundial, e janeiro passado, as exportações baianas caíram 52%. A informação é do Centro Internacional de Negócios da Bahia (Promo), vinculado à Secretaria da Indústria, Comércio e Mineração do Estado (SICM), que ontem divulgou a balança comercial do primeiro mês de 2009. Em volume de dinheiro, as exportações da Bahia somaram US$ 392,1 milhões em janeiro, contra US$ 818,1 milhões registrados quatro meses antes.
Apesar da queda das exportações, a balança comercial apresentou o maior superávit desde outubro, com US$ 178,6 milhões de saldo positivo. No entanto, essa cifra foi consequência da redução das importações, que recuaram 61%, ficando em US$ 213,5 milhões contra US$ 551,8 milhões de setembro passado.
Em relação a janeiro de 2008, a balança comercial da Bahia registrou queda de 18%, com uma redução de 47% das exportações e 59% das importações.
Dos 19 setores da economia analisados pelo Promo, que correspondem a 97% da pauta de exportações do Estado, os maiores recuos registrados em janeiro de 2009 em relação ao mesmo mês do ano passado ocorreram nos setores automotivo (-95%) e petroquímico (-62%).
O desempenho das exportações baianas só não foi pior porque alguns produtos agrícolas tiveram as vendas incrementadas.
A soja teve um aumento de 124% nos negócios, chegando a US$ 35,5 milhões; o algodão expandiu 44%, somando US$ 15,4 milhões em vendas; e a celulose registrou acréscimo de 33%, ficando na liderança no volume de dinheiro, com US$ 129,4 milhões.
PREÇOS -Mesmo com a expansão das vendas, o rendimento dos produtos agrícolas foi prejudicado, segundo o Promo, pela queda dos preços das commodities (matérias-primas em estado bruto ou com baixo nível de industrialização), base das exportações baianas. No caso, a demanda internacional foi reduzida, devido à crise, e houve um aumento da concorrência, com diversos países comercializando suas produções a preços muito baixos, o que deixou o produto baiano menos competitivo.
"Entretanto, há uma expectativa de melhora a partir de março, quando a Bahia começa a colher suas novas safras", afirmou o gerente de Estudos e Informações do Promo, Arthur Souza Cruz. "Na verdade, já temos notado uma recuperação dos preços, principalmente da soja, algodão e café, por causa de problemas climáticos em outros países, como a Argentina, que perdeu 40% da sua produção de grãos", acrescentou.
PETROQUÍMICA - A redução das vendas internacionais do setor petroquímico, que era o líder das exportações baianas, até meados do ano passado, já era esperada. Pelo menos, é o que afirma Manoel Carnaúba, vicepresidente da Braskem, principal empresa do ramo, e presidente do Comitê de Fomento Industrial de Camaçari (Cofic).
Carnaúba explica que os contratos do setor são fechados com prazos que variam de 90 a 180 dias entre a negociação e o embarque dos produtos para os seus destinos. "Como a crise se acentuou em setembro, sabíamos que janeiro seria difícil. Foi o fundo do poço", disse, salientanto que acredita em uma melhora do cenário a partir de agora. "As linhas de crédito começaram a voltar em novembro, o que indica o início da recuperação das vendas a partir de fevereiro".
Em relação ao segmento automotivo, o "carro-chefe" do complexo do setor na Bahia, a Ford, não quis comentar o mau desempenho.
A direção da empresa disse que só irá se pronunciar depois que analisar o levantamento do Promo e confrontá-lo com os dados da própria companhia.