Pequeno produtor do Vale do Rio São Francisco acha saída para superar a crise

16/02/2009

Pequeno produtor do Vale do Rio São Francisco acha saída para superar a crise

 


Se as exportações de uvas caíram drasticamente por conta da crise financeira mundial, pequenos agricultores do Vale do Rio São Francisco encontraram no Comércio Justo da Manga uma saída para a manutenção do mercado consumidor internacional e até seu crescimento. Os produtores de vinho na região também não amargaram retrocesso. Pelo contrário, aproveitam o mercado interno brasileiro para aumentar as vendas.

Um grupo de 80 produtores se uniu na Associação Manga Brasil e conseguiu através de produtos especializados garantir um mercado seguro, com preço fixo, sem variação, independente das oscilações do mercado. Com o selo Fair Trade de Comércio Justo, eles conseguiram dobrar as exportações no ano passado, em relação a 2007.

O Fair Trade é um selo concedido pelo mercado europeu para os produtos oriundos de pequenas propriedades. Na Europa, existe um público específico do consumo consciente que não se incomoda em pagar mais caro por tais produtos.

Em 2008, a Manga Brasil chegou a 220 toneladas de mangas exportadas, ao preço de R$ 0,72 o quilo. O resultado anual foi de aproximadamente R$ 160 mil. Fora isso, ainda contam com participação no mercado interno.

Há dois anos, a associação recebeu do governo federal um armazém para seleção e embalagem dos frutos, no valor de R$ 500 mil. Depois do ano promissor, a expectativa é dobrar a receita em 2009.

"O Fair Trade garante valor fixo de R$ 0,72 por quilo da manga. No início da safra a gente perde, pois o mercado interno paga R$ 1,10, mas no final da safra o preço cai para R$ 0,20 e a gente sai no lucro", explica o gerente executivo da Manga Brasil, Marcelo Paranhos. "Os contratos nos deram segurança", garante.

Assim produtores como Antonio Nogueira garantem o sustento da família. "Não dá para enriquecer, mas dá para viver", disse, fazendo segredo sobre seu faturamento.

Vinhos - Por servir basicamente ao mercado interno brasileiro - principalmente o pernambucano e o baiano -, o setor de vitivinicultura se safou dos efeitos da crise e inclusive registrou crescimento, de acordo com o secretário de Agricultura, Desenvolvimento Rural e Meio Ambiente de Juazeiro, Jairton Fraga. O secretário, no entanto, não dispõe de dados estatísticos, assim como a União Brasileira de Vitivinicultura.

No total, são sete empresas que produzem vinhos nas margens do São Francisco. As empresas Fazenda Ouro Verde e Vale do São Francisco, responsáveis pelas marcas Terra Nova e Botticelli, respectivamente, investiram em adaptações físicas para abrir as portas da produção para a visitação de turistas. "A intenção é divulgar a produção de vinho em pleno semiárido, nas margens do rio", disse o gerente da Ouro Verde, Roque Meneguzzo. Ele assegura que o investimento foi possível graças ao crescimento de 25% registrado em 2008, comparado com o ano anterior.