Veracel prepara duplicação
Os dados relativos à expansão sem acompanhamento dos plantios de eucalipto levantados pelo Instituto do Meio Ambiente (IMA) e a ação civil pública impetrada pelo Ministério Público Estadual (com acusações de irregularidades cometidas pela empresa) não devem interferir no projeto de duplicação da Veracel. Ao menos é o que indica o secretário estadual de Meio Ambiente, Juliano Souza Matos, ao declarar que “não há como ir de encontro à duplicação”.
De acordo com o previsto, a Veracel Celulose duplicará sua fábrica e consequentemente, sua área plantada, que, segundo informa, é de 96 mil hectares, espalhados em dez municípios. O projeto será tema de uma oficina marcada para terça e quarta-feira no Hotel Portal, a Veracel, no entanto, não explicou qual a função do evento.
Questionado sobre a situação de descontrole sobre os plantios de eucalipto apontado no estudo do IMA, Matos disse que “esse diagnóstico servirá para que possamos saber onde estão as irregularidades e todos que estiverem errados serão responsabilizados conforme a lei ambiental.
Lei é lei e não se discute”.
Quanto à possibilidade de exercer um controle sobre a expansão, o secretário disse: “Vamos conversar com os gestores e com base neste estudo do IMA tentar fazer com que haja uma delimitação. Vamos ver qual o impacto ambiental em todas as cidades e ver o que pode ser feito para não se agravar a situação”.
O estudo aponta que 24 municípios da região têm plantios de eucalipto, que chegam a ocupar até 44% da área total da cidade e seus distritos (veja infografia).
Entre os que apresentam mais de 15% do terreno destinado a esta cultura, apenas Santa Cruz Cabrália e Eunápolis são explorados pela Veracel. Nova Viçosa, primeiro no ranking da ocupação, Mucuri, Alcobaça e Caravelas são municípios com plantios da Aracruz Celulose e Suzano Papel e Celulose.
O prefeito de Eunápolis, José Robério Batista Oliveira (PRTB), foi procurado para falar sobre a expansão do eucalipto, mas não retornou aos recados deixados pela reportagem de A TARDE com seus assessores.
Sua assessoria de imprensa informou na manhã de anteontem que seria difícil fazer contato porque ele tinha passado a noite no Carnaval de Porto.
Para o promotor João Alves da Silva Neto, a duplicação pode ser considerada uma atitude criminosa.
“Ora, se o Estado faz um estudo em que diz que há diversas irregularidades e mesmo assim apoia a duplicação, ele está sendo conivente. É estar favor dos crimes ambientais que a empresa vem cometendo desde que aqui chegou”.