Açúcar escapa de onda de baixas na BM&FBovespa

02/03/2009

Açúcar escapa de onda de baixas na BM&FBovespa


O açúcar foi o único produto agropecuário com contratos futuros negociados na BM&FBovespa que encerrou fevereiro com preço médio mensal superior ao de janeiro, segundo cálculos do Valor Data baseados nos papéis de segunda posição de entrega, normalmente os que apresentam maior liquidez. Boi gordo, café arábica, milho e soja registraram quedas. Não houve negócios com etanol na bolsa no mês passado.

Em todos os casos, o comportamento das cotações espelhou as oscilações observadas nas principais bolsas internacionais, sobretudo as de Chicago e Nova York, principais referências globais para as commodities agrícolas. Cá como lá, pesaram os efeitos da crise mundial sobre a demanda, principalmente no exterior. O Brasil é grande exportador de todos os produtos agropecuários negociados na BM&FBovespa.

Como aconteceu na bolsa de Nova York, o preço médio do açúcar subiu na bolsa brasileira em fevereiro (11,61%) graças, principalmente, à expectativa de déficit na produção mundial decorrente do tombo da oferta da Índia, que já deixou de exportar e passará a importar o produto.

O café também ainda encontra nas projeções de consumo global maior que a oferta um fator de sustentação nos mercados externo e doméstico. O cenário ajudou a elevar as cotações em janeiro, mas em fevereiro surgiram algumas dúvidas sobre a firmeza da robusta demanda estimada. Resultado: erosão de preços em Nova York e na BM&FBovespa, onde a retração na relação entre as médias mensais de fevereiro e janeiro foi de 2,37%.

No caso do boi gordo, a mesma desaceleração da demanda, sobretudo internacional, que derrubou os preços no mercado físico afetou os contratos futuros, que encerraram fevereiro com média mensal 2,25% inferior ao valor de janeiro.

Analistas acreditam que a reabertura de mercados como o do Chile, que na semana passada reconheceu sete Estados brasileiros como livres de febre aftosa com vacinação, poderá oferecer maior sustentação às cotações, mas problemas como o que enfrenta o frigorífico Independência, que suspendeu os abates de bovinos no país, são um contraponto de peso.

Nos mercado de milho e soja, disse Luiz Gustavo Marx Vencato, corretor da Intertrading, agente de investimentos da Corretora Souza Barros em Curitiba, as quedas, em linha com o comportamento da bolsa de Chicago, refletiram a desaceleração econômica global e o fim do "efeito estiagem" na América do Sul, que ofereceu suporte aos preços em janeiro. A média mensal do milho foi 5,26% menor, e a da soja recuou 3,91%.

Ainda que aparentemente "precificados", os danos causados pela seca seguem a motivar reduções nas estimativas de produção na Argentina e no Brasil.

Na sexta-feira, a Agroconsult ajustou sua projeção para a colheita brasileira de soja em 2008/09 para 55,5 milhões de toneladas, 7,4% menos que em 2008/09. Para o milho de verão, a consultoria passou a projetar baixa de 17,2%, para 32,9 milhões de toneladas.