Indústria do fumo atrás de R$ 2 bi
Atingida pela escassez de crédito no rastro da crise financeira global, a indústria fumageira bate hoje à porta do governo federal em busca de uma linha de R$ 2 bilhões para financiar a aquisição da safra de tabaco 2008/09. O pedido será feito ao ministro de Relações Institucionais, José Múcio Monteiro Filho, por uma comitiva de deputados do Rio Grande do Sul - maior produtor nacional de fumo - e representantes de empresas, que pretendem conversar sobre o assunto até amanhã com o ministro da Fazenda, Guido Mantega.
Segundo o presidente do SindiTabaco, Iro Schünke, com os bancos mais rígidos na liberação dos empréstimos para capital de giro algumas empresas estão estendendo o prazo de pagamento aos produtores de quatro dias após o recebimento da safra para duas semanas ou até um mês. O problema retarda o ritmo de comercialização da safra, estimada em 715 mil toneladas. A estimativa da entidade é que 15% da produção foi adquirida até o fim de fevereiro, ante 18% no mesmo período de 2008.
"Em março entramos no pico da compra da safra", disse Schünke. A partir de agora a necessidade de capital de giro sobe devido ao intervalo entre o pagamento aos produtores, a negociação do produto beneficiado com os clientes internacionais e o fechamento dos Adiantamentos de Contrato de Câmbio (ACC). "Os clientes estão chegando e os embarques vão de abril a julho". Cerca de 90% da safra brasileira de fumo é exportada.
A cifra de R$ 2 bilhões foi apurada em duas audiências públicas no dia 20 de fevereiro em Venâncio Aires (RS), disse o deputado estadual gaúcho Adolfo Brito (PP), que participa do encontro de hoje em Brasília. "A necessidade é urgente porque o setor fumageiro vive um momento crítico, com risco de desemprego", comentou. Conforme o SindiTabaco, as indústrias do setor empregam 30 mil pessoas e compram matéria-prima de 186 mil famílias de pequenos produtores nos três Estados da região Sul.
O valor que será solicitado ao governo equivale à metade do estimado para pagamento da safra aos produtores, disse o presidente da Afubra, que reúne os fumicultores, Benício Werner. As entidades representativas dos agricultores recomendam a retenção máxima da venda da produção devido à falta de acordo sobre o reajuste de preços do fumo, que desde 2008 é negociado caso a caso e não mais por meio do SindiTabaco.
Os fumicultores pediram 29,7% de reajuste e já admitiram baixar a demanda para 22%, mas as indústrias oferecem 12%, revelou Werner. Na safra passada os produtores receberam R$ 5,42 em média pelo quilo, ante R$ 4,25 no ciclo anterior. Segundo Schünke, o reajuste de 27,5% foi superior ao aumento das receitas com as exportações, que passaram de US$ 2,2 bilhões para US$ 2,71 bilhões de 2007 para 2008, alta de 23,2%.