Cresce a discórdia sobre troca da cidade-sede da Agrishow
Há pelo menos três anos a Agrishow é motivo de conflito entre organizadores, promotores, empreendedores, agricultores. São eles também os que mais se envolvem com uma das maiores exposições de tecnologia agrícola do planeta. O motivo da discórdia é o abandono da cidade que abrigou o evento nas 15 edições de sucesso, Ribeirão Preto, no interior paulista.
Para acentuar a polêmica, a derradeira edição na tradicional casa vai acontecer sem a presença das principais multinacionais fabricantes de tratores, mas a organização da Agrishow garante: as máquinas que rasgam os campos brasileiros estarão lá, em menor número. De acordo com Carlos Pastoriza, diretor-secretário da Associação Brasileira das Indústrias de Máquinas (Abimaq), a Landini, "uma das maiores fabricantes de tratores do mundo, já confirmou presença", garante.
Segundo Pastoriza, a empresa em questão, subsidiada no Paraná com a marca Montana, já assinou contrato para aquisição do estande. Ainda de acordo com o diretor-secretário da Abimaq, a Tramontini Implementos Agrícolas , de Venâncio Aires (RS), associada à Abimaq, e no segmento sobre rodas há apenas dois anos, também vai desfilar os modelos na feira, a absoluta maioria de baixa potência. "Alguns fabricantes de tratores realmente disseram que não vão participar, mas eles são mesmo os últimos a confirmar presença. É tradição deles deixar para última hora", ameniza Pastoriza a ausência de grandes marcas como Case, New Holand (CNH) e Agrale na última edição do evento em Ribeirão. Alheio à lista dos participantes da 16, o secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, João de Almeida Sampaio, argumenta que, independente dos expositores, Ribeirão Preto merece uma feira. "Ribeirão já está consolidada como a ‘cidade da feira’, mas isso não impede que realizemos outra feira lá".
O secretário explica que a mudança para São Carlos (SP), a princípio definitiva, "foi uma decisão de algumas promotoras, especialmente da Abimaq, que detém 80% dos direitos da Agrishow". Os outros 20% pertencem à Sociedade Rural Brasileira (SRB), Associação Nacional para a Difusão de Adubos (Anda) e Associação Brasileira de Agribusiness (Abag).
De acordo com Sampaio, a Abimaq procurou a secretaria há alguns anos apresentando a necessidade de uma área maior e com prazo maior de concessão para realizar a Agrishow. "Mas o estado não pode conceder uma licença maior que cinco anos para a exploração da área", justifica a negativa dada naquela época.
A procura da Abimaq encontrou a oferta da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), que colocou à disposição dos organizadores do evento, por 50 anos, uma área de 240 hectares em São Carlos onde será construída a nova casa da Agrishow, mas pode chamar de "Cidade da Bioenergia". "O estado não é dono da feira, é dono da área, temos interesse na difusão de tecnologia, em Ribeirão ou em São Carlos, de preferência nas duas cidades. Mas eu ainda tenho esperança que a Agrishow continue em Ribeirão", defende João Sampaio.
"Vamos oferecer um local com direito a locação de longo prazo para as empresas construirem uma estrutura eliminando custos anuais. É uma feira do Brasil e não de Ribeirão", argumenta Pastoriza.