Produção de banana no território Velho Chico é revitalizada
Produtores familiares de Oliveira dos Brejinhos e Bom Jesus da Lapa, associados em Fundos de Pastos e beneficiados com a entrega de 280 mil mudas de bananas, cacau e goiaba, no último mês, pela Secretaria da Agricultura do Estado da Bahia (Seagri), apresentaram ontem (10/03/09), no gabinete do secretário, os resultados satisfatórios alcançados com o cultivo, em área de teste, e realizaram novos pleitos que viabilizam a agregação de valor à produção e minimizam as perdas nas propriedades, que giram em torno de 300 toneladas por mês. Dentre as demandas apresentadas, estão a implantação de três agroindústrias na região, a ampliação dos serviços de assistência técnica e incentivos para a diversificação com a cadeia da ovinocaprinocultura.
“Estamos vivendo um momento de celebração, depois de um período turbulento, que durou quatro anos, quando nossas propriedades foram atingidas pelo fungo de solo conhecido como Mal do Panamá. As mudas são resistentes à pragas como essa e já foram testadas em propriedades familiares”, atestou a presidente da Cooperativa dos Produtores de Frutas de Bom Jesus da Lapa (Coofrulapa), Marlene Marques Boa Sorte. Ainda segundo ela, a Agência de Defesa Agropecuária (Adab) tem monitorado e efetivado o controle da doença, além de realizar pesquisas e apontar alternativas para o produtor.
“A agroindústria é extremamente importante porque aproveita uma sobra de produção de 300 toneladas por mês, desperdiçada. Precisamos viabilizar essa sobra, desprezada pelo mercado interno e externo e garantir a sustentabilidade necessária para o produtor, com geração de emprego e renda. Essa sobra pode se tornar um produto ainda para exportação, como doces, banana – passa e geléias”, completou a presidente da Coofrulapa. A estimativa é que a iniciativa agregue 15 % na renda do agricultor.
A cooperativa integra o perímetro irrigado da Codevasf, do Projeto Formoso, no município de Bom Jesus da Lapa, que possui 928 lotes da agricultura Familiar. Do perímetro, saem 650 caminhões com 7,2 toneladas de banana por mês. A área também foi contemplada pela Seagri, com a entrega de dois tratores com os implementos necessários, como grades de aração e subsolador, que beneficiará 300 famílias produtores familiares.
Como alternativa para diversificação da produção, foram pleiteados incentivos à caprinovinocultura, a partir da viabilização da implantação de um frigorífico em Oliveira dos Brejinhos e a distribuição de kits de ensilagem forrageira. Segundo o superintendente da Agricultura familiar, Ailton Florêncio, o projeto da planta arquitônica do frigorífico já foi produzido pela Adab e está orçado em R$ 1,1 milhão.
“O que precisa é articular parcerias com o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e o Fundo de Combate e Erradicação da pobreza (Funcep) para viabilização do empreendimento”, declarou o superintendente, que estará incluindo a demanda na pauta de discussão apresentada amanhã, pelo secretário da Agricultura, Roberto Muniz, em Brasília. A pedido de Muniz, as demandas serão reunidas e organizadas para discussão no Grupo de Monitoramento, do qual participam a Seagri e todos os movimentos sociais.
Fundo de Pasto
As centrais e associações pleiteiam ainda, junto ao Governo do Estado, a formatação e o planejamento de um programa de Fundo de Pasto. Vale ressaltar que na Bahia existem hoje 413 áreas coletivizadas, que envolvem um total de 16,438 mil famílias. Destas áreas, 125 estão reconhecidas pelo Incra e 96 estão tituladas.
Segundo o coordenador de Reforma Agrária da Coordenação de Desenvolvimento Agrário (CDA), Leopoldo Mont’Alverne, os Fundos de Pastos constituem um sistema de ocupação coletiva de terras por grupo de famílias, com certo grau de parentesco, onde as propriedades têm uma área coletiva para o pastoreio extensivo de caprinos, ovinos e bovinos com direito de uso comum pelo grupo de pastagem nativa. Secundariamente, cada família participante tem uma pequena gleba onde desenvolve agricultura de subsistência com o plantio de milho, feijão de corda, mandioca, melancia, entre outros, e em alguns casos pequenos plantios de palma forrageira. “Cumpre ao CDA medir e regularizar essas terras, na forma de garantir a posse. Mas essas entidades têm reivindicações de todo o tipo, como infra-estrutura hídrica”, declarou Mont’Alverne.
Ascom / Seagri
Ana Paula Loiola
3115-2767/2737