Insolvência dos frigoríficos é tema de audiência pública

17/03/2009

Insolvência dos frigoríficos é tema de audiência pública

 

Os efeitos da crise financeira mundial sobre a pecuária de corte e frigoríficos serão temas de audiência pública que ocorre no Senado Federal. Na reunião serão discutidas propostas de financiamento emergencial para o setor. Dentre as possibilidades está liberação de novas linhas de financiamento, via Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), crédito para estocagem de carne ou redução de tributação para o setor. A quebra do frigorífico Independência, no qual o BNDES tem participação de mais de 10% no capital social, foi o estopim dessa crise no setor de carne bovina e que acelerou a convocação de audiência pública no Senado. Há expectativa de criação de uma linha de mais de R$ 1 bilhão para que os frigoríficos tenham capital de giro.

Os ministérios da Agricultura e da Fazenda não confirmam a probabilidade de o governo estabelecer crédito emergencial. Internamente, porém, no ministério da Agricultura há mais simpatia por propostas que possam garantir o ressarcimento de créditos tributários de forma mais fácil para frigoríficos exportadores, que hoje enfrentam dificuldades para reaver esses recursos do que em relação às unidades que abastecem o mercado interno.

Quanto à hipótese de liberar linhas de crédito do BNDES, o presidente da Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), Péricles Salazar, é taxativamente contrário. "Vou ter a oportunidade de dizer que não concordamos. Por que colocar dinheiro em empresas que cometeram erros de gestão interna?", questiona. Para Salazar, é necessário promover ajustes no setor, mas o principal pleito da Abrafrigo é a desoneração do PIS e Cofins. Segundo o presidente da entidade, isso representaria uma renúncia fiscal de R$ 140 milhões ao ano, valor bem distante de um suposto pacote de ajuda de pelo menos mais de R$ 1 bilhão. Salazar destaca que não há falta de carne bovina no abastecimento interno e nem problemas de exportação, fatos que, segundo ele, comprovam que outros frigoríficos podem suprir as demandas do mercado.

Opinião semelhante tem o consultor e ex-ministro da Agricultura, Marcus Vinícius Pratini de Moraes, hoje consultor do grupo JBS. Segundo ele, não apenas a cadeia da carne bovina, mas vários setores produtivos passam por processo de reestruturação, havendo casos de concentração. Ou seja, a atual crise faz com que empresas deixem o mercado. Salazar, da Abrafrigo, por sua vez, diz que no atual momento o governo deve permitir o crescimento de pequenos e médios frigoríficos, assim como favorecer os produtores. Por isso defende a solução estrutural para a cadeia da pecuária de corte, que teria na redução do PIS e Cofins um de seus principais pilares.