Greening: Aonde ela chega, faz muitos estragos nas plantações
Conhecida pelo seu alto poder de destruição, a praga de greening, doença que mata as plantas e ataca os pomares, é o pior mal para as frutas cítricas, pois não possui qualquer tipo de cura ou tratamento e tem como única alternativa a erradicação da planta.
Mesmo não tendo nenhum caso detectado até o momento na Bahia, a doença já chegou ao Brasil. Os produtores baianos de citros estão bem preocupados e alertam. O greening tem uma alta capacidade de disseminação por ser observado que todas as variedades comerciais são suscetíveis à infestação.
A doença, de origem asiática, foi detectada em pomares nos estados de São Paulo e Minas Gerais.
Os primeiros casos ocorreramemjunho de 2004 na região de Araraquara (SP), quando produtores informaram ao Fundo de Defesa de Citricultura (Fundecitros) sintomas desconhecidos em pomares cultivados. Até o momento, não se sabe como a doença chegou ao País: se através de mudas, frutos ou material para enxertos contaminados.
PERDAS – Em matéria vinculada em setembro de 2008 no site Canal Rural, a informação é que desde o aparecimento da doença nos pomares paulistas, três milhões de plantas já foram eliminadas, o que tem causado a perda de sono dos produtores e especialistas da região.
Uma lei foi criada no Estado para que, a cada seis meses, os produtores apresentem à Secretaria da Agricultura do Estado um relatório sobre a situação nos pomares. Além disso, o governo paulista investiu R$ 2 milhões em campanha publicitária para alertar mais sobre a doença.
O Projeto de Combate ao Greening, programa da Secretaria da Agricultura do Estado, foi criado para tentar encontrar soluções para combater a doença, que, segundo levantamentos feito até o início do ano passado, 2,6 mil pomares estavam infectados.
Preocupado com a situação, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, em parceria com a Fundecitros e estados brasileiros, lançou, ano passado, uma campanha alertando sobre os riscos da doença.
ALERTA – Mesmo a Bahia estando livre da praga, a campanha alerta os produtores baianos para a importância da inspeção dos pomares e o cuidado no momento de adquirir mudas como forma de evitar a doença.
Para Geraldo Almeida, responsável pela área de citricultura e técnico de desenvolvimento da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA), o primeiro cuidado deve ser a realização das barreiras fitossanitárias nas fronteiras, que são feitas pelos órgãos de defesa vegetal, no caso da Bahia a Adab, evitando, assim, a entrada de materiais contaminados oriundos das áreas afetadas.
Outra medida é a aquisição de mudas, frutos e material para enxerto de locais seguros, ou seja, sem que existam casos notificados e de origem conhecida.
“O importante é evitar o intercâmbio de materiais vindos das áreas infectadas. Mas, caso o material tenha um certificado fitossanitário garantindo a integridade do material, o produtor poderá utilizá-lo, mesmo que venha dos estados com casos registrados”, orienta Almeida.
O que se sabe até agora, conta, é que o vetor da doença é o inseto psilideo, comum na citricultura.
“Caso esteja contaminado, espalha rapidamente a doença. Embora a praga possa atacar outras culturas, aqui no Brasil foi constatada até agora na citricultura e a região de São Paulo é a mais afetada”, alertou Almeida.
BIOFÁBRICAS – A EBDA criou as biofábricas, ou bancos de borbulhas, como são conhecidas, onde se produz em ambiente protegido borbulhas livres de qualquer tipo de contaminação, distribuídas para os produtores de citros que queiram produzir mudas ou fazer enxertos.
A EBDA disponibilizou borbulheiras (como são chamados os bancos) nos municípios de Alagoinhas, Conceição do Almeida e Rio Real. (AR)
“Com as borbulhas, o produtor fica mais seguro no momento de produzir material de qualidade, sem contaminar os viveiros” Geraldo Almeida, técnico de desenvolvimento da EBDA
Menores Uma das principais perdas dos produtores com a infestação de pragas como a amarelinha é a qualidade do fruto, que fica afetada.
Há diminuição do fruto e deformação, sem falar na qualidade das laranjas nos pomares
4 a 5 meses depois da poda de uma planta atacada com a praga greening, os sintomas da doença voltam a aparecer. Ou seja, poda é inútil, alertam técnicos da Fundecitrus
Qualidade - Almeida, chefe do escritório da EBDA em Rio Real, mostra viveiro de borbulhas (mudas cítricas) de qualidade. As plantas são criadas em ambientes protegidos, em unidades de Alagoinhas, Conceição do Almeida e Rio Real.
100% das áreas contaminadas com o greening devem ser inspecionadas, ensina cartilha da Fundecitrus. O produtor deve estar atento ao aparecimento de ramos amarelados na copa.