Silêncio dos vencedores

26/03/2009

Silêncio dos vencedores

 


Para os supersticiosos, seria uma questão de destino. Unificada à Província da Bahia, foi exatamente em suas matas que prosperou a lavoura do cacau, o fruto de ouro que sustentou a economia agrária exportadora poruma centena de anos. No século XXI, a tragédia da praga da vassoura-de-bruxa alquebrou a lavoura do cacau, expulsando do mercado a maioria dos produtores.

A região reagiu valentemente à crise econômica, seja pelo esforço da Ceplac em produzir um clone resistente à praga, seja pela instalação de um polo de informática, e mesmo pelo investimento em uma grande Universidade Estadual de Santa Cruz. Mas isto é pouco para o sul da Bahia. Em boa hora, a eleição do governador Jaques Wagner trouxe um novo rumo para o sul do Estado.

Graças ao seu empenho pessoal, trouxe para a Bahia o projeto do terminal da estrada de ferro Oeste-Leste. A ferrovia partirá de Luís Eduardo Magalhães, onde se conectará com a Ferrovia NorteSul, e terminará em Ilhéus, onde será construído o Porto Sul. Toda a capacidade produtiva do agronegócio que se expande no oeste, da agricultura familiar, será disseminada desde lá, passando pelo sudoeste até o litoral.

O advento do governo Wagner trouxe consigo a preocupação com a fragilidade da infraestrutura de transportes, especialmente com o desaparelhamento dos portos baianos. O exemplo mais recente foi a decisão da Chevrolet de instalarse em Pernambuco pelas vantagens operacionais do Porto de Suape.

Uma grande perda da Bahia. Por isso, está em desenvolvimento um grande programa de modernização da infraes trutura de transporte na Bahia. Já estão sendo assinadas as ordens de serviço que disparam as obras no terminal portuário de São Roque.

Junto com São Roque, um complexo se consolida: o Temadre, o porto da Ford, oPorto de Aratu se articularãocomosistema rodoviário que passa pela Bahia e se integra no sistema nacional. Além da modernização dos portos, está em curso a implantação de um polo naval no interior da Baía de Todos-os-Santos, com investimento total aproximado de R$ 2 bilhões.

No local, serão construídas plataformas de petróleo, navios FPSO (Floating, Production, Storage and Offloading), sondas de perfuração e petroleiros.Tambémserão construídas no Polo da IndústriaNaval embarcações de apoio, como barcos de suprimento e de apoio às operações marítimas de ancoragem de plataformas em alto-mar, combate a derrames de óleo e outros fins.

Quanto à estrada Oeste-Leste, seu impacto regional será especial. Ela possibilitará o escoamento da grande produção de grãos do oeste, e da grande produção de minérios de Brumado e de Caetité. Esse é um projeto de futuro. Há planos que ela se estenda na direção do Oeste brasileiro na direção de um porto no Oceano Pacífico. Este foi o sonho de grandes engenheiros baianos: Miguel de Teive e Argolo e Vasco Neto. Não precisa ser um grande economista para desconfiar que Ilhéus-Itabuna será uma metrópole econômica, seja pelas atividades agrário-exportadoras, seja pelo desenvolvimento de atividades de transformação industrial.

Por que levanto minha modesta voz de cidadão agora? Está tudo muito frio. O governador está sozinho. Em uma época de crise, vai ser necessário lutar pela prioridade de recursos para estes empreendimentos.

Sinto falta da participação de uma liderança da região cacaueira habituada, diria até calejada, na luta em defesa de sua commodity. Sinto falta de uma elite habituada a operar as praças e bolsas de Nova Iorque e Frankfurt. Será que não lhes interessa uma ativa praça de negócios? Será que não lhes desperta expectativas favoráveis para um mercado imobiliário local? Se assim é, por que não se abre ampla discussão na região, principalmente na Uesc? Essa não é só uma questão local! Esta é uma questão da Bahia. Sinto falta da voz dos senadores, dos deputados federais, dos estaduais, dos prefeitos do centrosul da Bahia. Será que eles acreditam que uma estrada de ferro cai do céu? Será que os políticos da Bahia só pensam em 2010? Há esperanças. A chegada de Walter Pinheiro à Secretaria de Planejamento do Estado pode significar um impulso mais vigoroso na mobilização das forças vivas da Bahia, em defesa do desenvolvimento do Estado.