Mulher: presença obrigatória no crescimento da agropecuária

31/03/2009

Mulher: presença obrigatória no crescimento da agropecuária

 

Cada vez mais, elas destacam-se no cenário do agronegócio brasileiro. Nas plantações, nas salas de ordenha, sobre máquinas agrícolas, em rodadas de negócios, frente ao computador para acompanhar as condições climáticas ou as cotações do dia, a presença feminina é uma constante. Isso comprova que o setor agropecuário, como outros segmentos da sociedade, não resistiu à determinação e ao profissionalismo daquelas que engrandecem a economia nacional.

No Dia Internacional da Mulher, comemorado no dia 8 de março, não faltaram motivos para debater avanços sociais referentes à mulher. Como também, razões para identificar preconceitos e obstáculos que ainda as impedem de serem reconhecidas como detentoras de plena cidadania.

Quanto às conquistas no meio rural, pela primeira vez na história do País, uma mulher assumiu a presidência da principal entidade representativa dos produtores rurais. Neste ano, a senadora Kátia Abreu tornou-se presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

Mulher: presença obrigatória no crescimento da agropecuária: Ana Thereza da Costa Ribeiro
Créditos: FaepNo Paraná, o Sistema Faep incentiva a participação das mulheres no agronegócio. Esse incentivo acontece por meio de ações voltadas à gestão da propriedade rural, empreendedorismo, promoção social e atividades que contribuem para a melhoria da renda. Nos últimos anos, o sistema sindical no estado foi fortalecido com uma maior presença de mulheres em iniciativas que fortalecem o setor.

Como presidente do Sindicato Rural de Porecatu, vice-presidente da Comissão Técnica de Cana-de-açúcar da Faep e suplente de diretoria da Federação, Ana Thereza da Costa Ribeiro ressalta a participação das mulheres no setor agropecuário. "Em outros setores, a mulher já tinha uma participação maior. Na agropecuária, por ser mais tradicionalista, a mulher vem galgando espaço", diz. Para ela, independente do gênero masculino ou feminino, a pessoa precisa ter competência no que faz.

Ao dar exemplo de incentivo à participação das mulheres no setor, Ana Thereza citou o Programa Mulher Atual do Senar-PR. Segundo ela, no final do ano passado, o Sindicato contou com uma turma-piloto do Programa. A iniciativa reuniu 15 participantes. "Agora, queremos formar mais duas turmas na região e esperamos oferecer o Empreendedor Rural a elas", acrescenta.

MULHER ATUAL

Há cinco anos, as mulheres representavam apenas 30% dos participantes dos cursos de qualificação social e profissional do Senar-PR. Hoje, elas já são 42%. E há uma tendência dessa participação crescer. "Queremos despertar na mulher suas competências tanto no plano pessoal e familiar como profissional. É a mulher empreendedora, que atua como agente de mudança em sua comunidade", diz a psicóloga Izabela Brandini Comin, coordenadora do Programa Mulher Atual do Senar-PR.

O curso, de 80 horas, teve nove turmas-piloto com 170 mulheres entre outubro e novembro do ano passado. A partir de 2 de maio, estará disponível em todo o estado. Para realizá-lo, basta haver demanda e solicitação de turmas nos sindicatos rurais.

Os conteúdos do Mulher Atual, que tem encontros semanais de oito horas, envolvem autoestima, percepção de si, comunicação, família, direitos sociais, previdência social, cidadania, mercado de trabalho, defesa do consumidor, consciência ecológica, valores socioambientais, liderança ética, empreendedorismo, profissionalização e formação continuada.

Mulher: presença obrigatória no crescimento da agropecuária: Marta Jordão Volpato
Créditos: FaepA produtora Marta Jordão Volpato, de 51 anos, de Sarandi, participou do Mulher Atual em novembro do ano passado no Sindicato Rural de Maringá. "O curso abre mais os horizontes da gente para interagir mais, participar mais", diz.

Na propriedade de 65 alqueires, Marta, o marido e os três filhos cultivam frutas e criam frangos de corte. "A gente está sempre unido. Se temos um problema, a gente se reúne e busca a solução para continuarmos crescendo na propriedade. Temos lutado com perseverança", afirma.

Com o tempo, os três filhos passaram a assumir mais as atividades da propriedade. No processo de sucessão familiar, Marta e o marido passaram a cuidar mais da parte administrativa. "Sou um importante apoio para eles, que aproveitam a minha experiência e conselhos. Assim, faço minha parte para que tenham mais sucesso na atividade", lembra.

Como mulher, Marta reúne coragem e otimismo para continuar na luta do dia-a-dia. "Não devemos desistir nunca. Devemos continuar, tentar, modernizar-se, participar de encontros de sindicatos, dias-de-campo e não parar", diz. Para as mulheres que atuam no agronegócio, o recado é claro: "Precisamos estar atualizadas e informadas para crescer sempre mais".

500 HORAS

Mulher: presença obrigatória no crescimento da agropecuária: Roseli Rubber Dalmaso
Créditos: Faep"O pessoal do Senar e do Sindicato convida, uma mulher fala para a outra, faz propaganda para as amigas, e aí vira uma corrente". Assim a produtora Roseli Rubber Dalmaso, de 37 anos, de Toledo, explica o aumento da participação feminina nos cursos do Senar-PR. Com ela mesma foi assim. Há cerca de três anos, Roseli fez o primeiro curso, o De Olho na Qualidade, e não parou mais. "Já devo ter umas 500 horas de treinamentos com a Faep e o Senar", calcula.

O marido de Roseli, Dirceu Dalmaso, fez no ano passado a Fase I do Programa Empreendedor Rural. O filho Alessandro, de 18 anos, também já decidiu participar do Programa. "Aprendemos que é preciso ter uma meta e ir atrás. Se já está difícil para quem luta, imagina se você ficar parado", avalia Roseli.

Hoje, a produtora contribui com 40% da renda da família na propriedade de 7,5 alqueires, no distrito de Novo Sobradinho. Ela ajuda na pecuária leiteira e produz pães caseiros, que vende na feira, duas vezes por semana. O despertar para o empreendedorismo ajudou também a produtora em problemas de saúde. "Durante dez anos, tomei remédios de uso contínuo para depressão. Com o trabalho, a mente e o corpo ocupados, já deixei dos remédios há três anos", comemora Roseli.

Matéria publicada no Boletim da Faep, edição 1042.

Fonte:
Federação da Agricultura do Estado do Paraná
Assessoria de Comunicação da Faep