Brasil divulga tecnologia canavieira na África
Os crescentes investimentos em projetos para biocombustíveis nos países africanos ampliam as oportunidades de negócios em máquinas e implementos agrícolas nos próximos anos. As pesquisas em energias alternativas estão concentradas principalmente nos países que não produzem petróleo, onde ganharam importância diante da necessidade de alternativas para diversificação da economia. O maior volume dos estudos está concentrado no Oeste africano, que possui boa renda per capita e o clima é similar ao brasileiro, fazendo a cana-de-açúcar e o óleo de palma garantirem lugar de destaque.
No total, são 29 projetos de biocombustíveis e biomassa em andamento em 10 países, conforme levantamento realizado pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil). Para o Brasil, a janela surge no momento em que se busca a consolidação do etanol como commodity internacional. Para galgar esse patamar, um dos requisitos apontados por especialistas é a difusão da tecnologia e produção para outros países. Dessa maneira, o Brasil se consolidaria como referência mundial em fornecimento de equipamentos para o etanol de cana.
Rodrigo Azeredo, do Ministério de Relações Exteriores (MRE), explicou que linhas de financiamento para exportações estão em estudo para viabilizar negócios com outros países. "Já temos um modelo bem sucedido com Gana e queremos aplicá-lo em outros países". Conforme disse, esse modelo utiliza o petróleo do país como garantia para formalizar finaneciamentos dos produtos brasileiros com prazo de pagamento superior a dois anos.
A busca por energias alternativas na África passou a ganhar espaço em 2006, quando foi criada a Associação Pan-Africana dos Países Não-Produtores de Petróleo (APNPP) ou "OPEP Verde". Atualmente a associação conta com 15 países membros.
O embaixador do Senegal no Brasil, Fode Seck, destacou a importância de fortalecer o fluxo entre ambos. Porém, reclamou do desinteresse dos empresários brasileiros pelos países que não possuem o português como idioma. "A tecnologia brasileira é mais adequada à África. No entanto, não vemos muitos (empresários brasileiros) interessados". Segundo informações do Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior (MDIC), em 2008, o continente africano foi o quinto maior comprador do Brasil, gerando US$ 10,1 bilhões em divisas. No mesmo período, a região consumiu 65% de produtos manufaturados.
"Nosso objetivo é aumentar as vendas em cerca de 45% nos países do bloco africano neste ano", disse Michael Steenmeijer, gerente comercial da BRN, fabricante e exportadora de carregadores para cana-de-açúcar. Ele observa que a região possui grande potencial de desenvolvimento porque possui baixo nível de tecnologia. "Por esse motivo queremos ganhar espaço com a implantação de produtos específicos nem cada país, que ainda colhem manualmente". Para isso, a companhia, que exporta a mais de 14 anos para a África, deve lançar uma moto-cana que facilita a colheita.
As perspectivas também são positivas para Luiz Guilherme Bueno, da Emit Brasil, companhia exportadora especializada no comércio de máquinas de maior porte, como tratores e colheitadeiras. "São economias em ascensão e muito promissoras. Esse fluxo comercial cresce a taxas de 30% anualmente" destacou. Segundo informou, a empresa atua há seis ano a expectativa é movimentar US$ 4 milhões nas transações comerciais com africanos em 2009.
"O mercado africano é o maior consumidor depois da américa latina", revela Mauri Fernandes, gerente de vendas para América Latina da New Holland. Eduardo Cordeiro, responsável pelas vendas para África da empresa acrescenta que os tratores lideram os embarques, que estão em expansão.
"O Brasil é uma potência agrícola e não podemos desperdiçar essa fase de desenvolvimento agrícola por lá", enfatizou José Mauro Couto, assessor para assuntos internacionais do MDIC. Para ele, também se trata de uma grande oportunidade para fortalecer o etanol como commoditie. "Os mercados não tradicionais são os que possuem maior potencial de expansão", afirmou.
Feira de máquinas agrícolas no Senegal favorece transferência tecnológica
A oportunidade de negócios com máquinas agrícolas na África terá apoio da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) e dos Ministérios de Relações Exteriores e de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. O objetivo é realizar uma feira no Senegal, em julho, para apresentar os produtos brasileiros e consolidar a difusão de tecnologia brasileira no continente africano.
Rodrigo Iglesias, analista de inteligência comercial para África da Apex-Brasil, explica que as principais oportunidades estão nos alimentos e nas máquinas e implementos. "Os biocombustíveis ganharam força com a criação da associação em 2006. Por isso vemos um grande mercado a ser consolidado nesses segmentos". Segundo informações do estudo da Apex, os negócios com máquinas agrícolas movimentaram mais de US$ 1 bilhão em 2007, o melhor período de vendas para a região. "Os números mostram que existe um bom fluxo, mas ainda há espaço para crescer. É preciso trabalhar para manter esses números crescendo", acrescentou. Segundo informou, os maiores PIBs da região Oeste da África estão com Nigéria, Costa do Marfim e Senegal.
"Essa feira é essencial para disseminar as informações sobre o potencial brasileiro naquela região", destacou Rodrigo Akitaya, gestor de projetos para África e Oriente Médio da Apex-Brasil. Ele acrescenta ainda que há projetos com instituições como a União das Indústrias de Cana-de-açúcar (Unica) para explorar o potencial tecnológico dessas regiões. Empresários que participaram de outras feiras ressaltam a importância dos contatos e esperam grandes negócios no Senegal. Luiz Guilherme Bueno, da Emit Brasil, diz que espera fechar US$ 4 milhões em negócios em junho, durante a feira.
Para Acir de Camargo Júnior, da fábrica Colombo, afirmou que após a primeira participação em feira promovida pela Apex, as exportações foram consolidadas com 34 países. As máquinas da empresa, que auxiliam na colheita de feijão e amendoim, devem ganhar novos rumos. "Já trabalhamos com o Sudão e África do Sul e vamos focar o mercado no Oeste do continente", planeja.