Crise atinge o interior da Bahia
A crise financeira internacional atingiu em cheio a economia dos municípios do interior. O fator determinante para tanto é que as economias destas cidades são frágeis e pouco diversificadas, na comparação com a economia da capital baiana e entorno – que formam a Região Metropolitana de Salvador (RMS). Ainda assim, conforme dados registrados pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), o interior registrou saldo positivo de 1.870 postos de trabalho formal nos meses de janeiro e fevereiro, contra a extinção de 2.365 vagas, em Salvador e sua região metropolitana.
José Ribeiro, diretor de pesquisas da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), órgão vinculado à Secretaria Estadual do Planejamento (Seplan), observa que o desempenho do mercado de trabalho no interior é motivado pelo agronegócio. “São fatores sazonais que motivam este desempenho, com altos ciclos de produção verificados em determinadas culturas”, diz Ribeiro.
Como exemplos da tendência, poderiam ser citadas as culturas como o algodão, que demonstrou maior resistência no período de crise. Os números apurados pelo Caged e analisados pela SEI ainda dão conta de que a construção civil reagiu no interior, com a criação de 735 empregos, gerados no primeiro bimestre do ano.
COMMODITIES –O economista agrário e professor da Universidade Federal da Bahia (Ufba) Vitor Athayde observa que a crise financeira teve um resultado pernicioso sobre o setor agropecuário.
Após a explosão da cotação das commodities – produtos que servem como matéria-prima básica, incluindo os alimentos –, os preços internacionais registraram acentuada queda, algo que se refletiu na redução da extensão de áreas plantadas, e consequente impacto no mercado de trabalho. A avaliação do professor deixa patente que o impacto da melhora do mercado de trabalho no interior, detectada nos dois primeiros meses do ano, foi localizada, restrita a alguns setores.
ARRECADAÇÃO – O presidente do Conselho Regional de Economia da Bahia (Corecon-BA), Paulo Dantas da Costa, observa que outro efeito negativo da crise sobre as pequenas cidades foi a queda nos repasses do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). Há municípios de economia frágil, que praticamente são sustentados por repasses do governo federal.
O FPM tem grande participação do Imposto sobre Produto Industrializado (IPI) e o Imposto de Renda (IR). Os repasses de ambos os impostos tiveram redução, por conta do esforço do governo de reduzir os impactos da crise financeira na economia do País. “Então, os pequenos municípios devem estar enfrentando uma situação bastante difícil, por conta deste contexto”, diz o economista.
O gerente de estudos e informações do Centro Internacional de Negócios da Bahia (Promo), Arthur Souza Cruz, observa que outro baque para a economia do interior do Estado foi o atraso em investimentos anunciados pela Veracel Celulose e Papel (VCP), que tem unidades de produção no sul do Estado.
“Devemos lembrar que a celulose tornou-se o principal produto das exportações baianas”, diz.
Em relação a perspectivas para o desempenho da economia do interior este ano, Cruz afirma que ainda é cedo para projetar cenários.