Cacauicultores da Bahia participam de concurso em Paris

06/04/2009

Cacauicultores da Bahia participam de concurso em Paris

 

Muita expectativa cerca a participação de seis cacauicultores baianos no concurso promovido pelo Centro de Pesquisa Agrícola Francês para Desenvolvimento Internacional (Cirard), um dos institutos europeus mais avançados na prospecção de cacau fino.

A meta do concurso é prospectar cacau de qualidade no mundo, promover a origem do cacau especial e estimular os países produtores a aprimorar mais a qualidade do produto.

O evento acontece em outubro, no Salão do Chocolate, em Paris, onde o Cirard vai apresentar os resultados e premiar os classificados em oito categorias.

O convite ao Brasil foi feito pelo centro francês à Ceplac, e a Associação dos Produtores de Cacau (APC) apontou 11 produtores, que enviaram 28 amostras para análise de especialistas em classificação de cacau do Ministério da Agricultura (Ceplac) e do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital), órgão do governo de São Paulo. As amostras foram examinadas por prova de corte, pH (acidez), teor de umidade, peso individual médio e avaliação global do aroma.

Dez foram selecionadas e enviadas para análise final no Cirard, segundo Neyde Alice Bello Marques Pereira, pesquisadora e responsável pelo laboratório de análise sensorial da Ceplac.

Se o Brasil conseguir classificar pelo menos uma amostra, terá aberto algumas portas para entrar no seleto time dos 17 países produtores de cacau de excelência, entre os quais Dominique, Jamaica, Santa Lúcia, São Vicente e Granadina, Panamá, Suriname, Trinidad e Tobago, Costa Rica, Colômbia, Peru e Granada, que se destacam com 100% da produção em cacau fino.

Venezuela, Equador e Papua Nova Guiné produzem 75% de cacau fino.

A República Dominicana, 40%; São Tomé e Príncipe, 35%; e a Ilha de Java (Indonésia), 1%.

OPORTUNIDADE – Segundo Neyde Alice, essa é uma oportunidade única e o Brasil, que é conhecido por produzir muito cacau sem preocupação com a qualidade, vai mostrar ao mundo que também produz cacau diferenciado. “É um nicho de mercado de excelência, de produtos caros para consumidores especiais”, diz.

Segundo o diretor da M. Libânio Agrícola S.A, Eimar Sampaio Rosa, pesquisadores e chocolateiros europeus, que estiveram na região, em 2007 e 2008, consideram que o Brasil tem potencial para produzir cacau fino, mas falta o aval da Organização Internacional do Cacau (Oicc), que define a questão.

Para Eimar Rosa, se o Brasil tiver alguma amostra classificada pelo Cirard, a Oicc pode voltar sua atenção para o País e mandar seus técnicos para fazer uma avaliação.

Mas, para ser produtor de cacau fino, segundo Eimar, o País precisa de outros requisitos, como ter produção socialmente correta, com trabalhadores de carteira assinada, sem participação do trabalho infantil e respeitar leis ambientais.

ESPECIAL – A pesquisadora do Ital Priscila Efraim assinala que esse concurso é também uma oportunidade de a região se convencer de que pode produzir cacau de alta qualidade, para atender também ao mercado interno de cacau de luxo, que é forte no sul do País e em São Paulo. Segundo Almir Martins, pesquisador em socioeconomia da Ceplac e pós-doutor em administração de mercado, a produção mundial de cacau é de 3,3 milhões de toneladas/ano.

Só 5% desse total é cacau fino, que correspondem às 150 mil toneladas consumidas por ano, pouco mais de um terço das necessidades do mercado, que é de 300 a 500 mil toneladas. Dos seis maiores produtores mundiais, apenas a Indonésia, terceira do ranking, com 13%, tem 1% de cacau fino. Costa do Marfim, 42%; Gana, 21%; Nigéria e Camarões, com 5%; e Brasil, com 4%, não produzem cacau fino.