A resposta à crise está no campo

06/04/2009

A resposta à crise está no campo

 


O Brasil está-se movendo em direção à independência energética, através da expansão de fontes alternativas, como hidroeletricidade, etanol e biodiesel. A produção de etanol proveniente da cana-de-açúcar é sustentável em termos financeiros e ambientais, além de não afetar o cultivo de alimentos”. Esta vantagem competitiva, inúmeras vezes explicitada, em nosso País, por especialistas e representantes do governo e da iniciativa privada, seria redundante caso não fizesse parte do estudo “Baixas Emissões de Carbono, Alto Crescimento: A Resposta da América Latina para a Crise”, divulgado pelo Banco Mundial (Bird).

Trata-se, assim, do reconhecimento de um dos mais respeitados organismos multilaterais de que os biocombustíveis e a energia de fontes agrícolas renováveis, conforme se pratica no Brasil, representam segura alternativa na busca da sustentabilidade, sem ameaça à cultura de alimentos e das mais importantes commodities.

Considerando a credibilidade e significado do Bird, a sua clara posição quanto ao tema, aval de inegável valor, representa passo importante para o País vencer as últimas reações de ceticismo aos programas de substituição da matriz energética.

Assim, a despeito da queda de preços do petróleo, o Brasil deve continuar investindo no fomento da bioenergia, ampliando paulatinamente seu alcance e abrangência. Como se sabe, o etanol já substituiu mais da metade do consumo interno de gasolina, utilizando-se apenas 1% das terras agricultáveis nacionais na cultura da cana-de-açúcar.

Mais de 90% dos carros novos em circulação no País são flex fuel. A logística de distribuição garante acesso de toda a frota ao combustível.

O biodiesel também já se encontra nos postos de abastecimento de várias cidades brasileiras, inclusive de São Paulo, onde roda a mais volumosa parcela de nossa frota. Esse biocombustível, é importante salientar, reduz em 78% as emissões de gás carbônico e em 90% as de fumaça.

Além disso, praticamente elimina as de óxido de enxofre. Estudos dos ministérios do Desenvolvimento Agrário, da Integração Nacional e das Cidades indicam que, para cada 1% de substituição de óleo diesel por biodiesel produzido com a participação da agricultura familiar, podem ser gerados 100 mil empregos no campo.

Os números e dados dos programas brasileiros de bioenergia referendam outra constatação do estudo do Bird: “Essa abordagem (relativa às possibilidades de a América Latina contribuir para a solução dos problemas mundiais) poderia apoiar simultaneamente a recuperação econômica e estimular o crescimento nas áreas que atenuam o impacto das mudanças climáticas”.

Se o mundo reconhece que a resposta está no campo, o protagonista do processo – o Brasil – não tem o direito de vacilar.

João Guilherme Sabino Ometto é vice-presidente da Fiesp.