Crédito caro restringe reação do café
O encarecimento do crédito para exportação e as incertezas sobre a economia global afetaram o fluxo comercial de café e restringem a reação dos preços internos em pleno início da entressafra. Esse cenário contribui para retração da demanda principalmente com os exportadores, importante regulador dos preços, que compram apenas o necessário para honrar os embarques. A situação já se arrasta desde o último trimestre de 2008, quando os cafeicultores seguraram as vendas e provocaram forte queda nos embarques em janeiro. Porém a estratégia não funcionou e as cotações ainda não reagiram.
Conforme dados do Centro de Informações da Gazeta Mercantil, os preços médios do tipo arábica caíram 16,1% no mercado internacional desde julho, ficando atualmente em 119,45 centavos de dólar a libra-peso (0,45 quilos). O mercado interno, por sua vez, manteve praticamente o mesmo patamar. Conforme as informações do Centro de Estudos em Economia Aplicada, da Universidade de São Paulo (Cepea/USP), as cotações do café arábica tipo 6 subiram apenas 0,5%, para R$ 266,77 a saca (60 quilos). "Os recursos de câmbio estão mais caros e limitam os negócios. Isso não quer dizer que vamos exportar menos. Mas o mercado poderia estar mais aquecido e o preço poderia estar maior que o atual", afirma Guilherme Braga, diretor-geral do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé). Com crédito mais abundante, ele analisou que os exportadores poderiam aumentar as posições de compra futura, oprovocando reação dos preços. "Isso aumentaria o giro de comercialização e evitaria retração do produtor em busca de melhor remuneração como observamos em janeiro", completa.
Conforme o Cecafe, o volume embarcado em março ficou em 2,53 milhões de sacas, alta de 8% em relação ao mesmo período de 2008. A receita, no entanto, recuou 12% na comparação com o período anterior, para US$ 340 milhões. "A queda nas cotações das commodities motivou esse recuo, mas sem prejuízo na renda em reais, compensada pelo dólar valorizado", explica Braga. Os números indicam recuperação em relação ao volume de janeiro (2,3 milhões de sacas) e sensível queda comparado com fevereiro (2,6 milhões de sacas).