Exportação de máquinas cai a patamar de 2003
Já bastante afetada pela queda de rendimento do mercado interno, a indústria brasileira de máquinas agrícolas viu, no primeiro trimestre, seu desempenho minguar ainda mais nas exportações. A crise agrícola na Argentina, destino de mais de 25% das vendas das fabricantes brasileiras ao exterior, acentuou os problemas de um setor que já se vê sob aperto.
Entre janeiro e março, foram exportadas 4 mil unidades pelas fabricantes brasileiras, volume 40,4% inferior às mais de 6,8 mil máquinas vendidas ao exterior no primeiro trimestre de 2008. Em volume embarcado, foi o pior primeiro trimestre das exportações do setor desde as quase 3,8 mil unidades exportadas entre janeiro e março de 2003, segundo compilação da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).
As exportações no primeiro trimestre corresponderam a US$ 298,1 milhões, montante 58,2% menor que o do mesmo período de 2008. Em março, foram embarcadas 1,7 mil unidades, o que correspondeu a um avanço de 27,4% em relação ao mês anterior - mas, em comparação com março de 2008, o recuo foi de 32,5%.
Se a crise econômica, por si só, já afetaria a demanda no setor, as exportações ficaram ainda mais abaladas em virtude de o mercado argentino ser o principal destino dos embarques. Os produtores agrícolas do país vizinho depararam-se na safra 2008/09 com a pior seca em pelo menos 50 anos e também com um imbróglio tributário que abalou as vendas da produção agrícola ao exterior.
As vendas de máquinas no mercado interno caíram 2,7% no trimestre, para 10,8 mil unidades, segundo a Anfavea - em março, na comparação com o mesmo mês de 2008, o recuo foi de 4,2%, para 4,1 mil máquinas.
A produção da indústria, por sua vez, atingiu no primeiro trimestre 14,7 mil unidades, volume 22,9% menor que o dos três primeiros meses de 2008. A queda na comparação dos meses de março de um ano e outro foi de 15%, para 5,6 mil máquinas.