Sem crise: Porto Digital de Recife espera faturar meio bilhão de reais

13/04/2009

Sem crise: Porto Digital de Recife espera faturar meio bilhão de reais

 


Enquanto empresas do Agreste pernambucano enfrentam problemas de qualificação de mão-de-obra, o que tem representado um entrave na busca de alternativas para driblar os efeitos da crise econômica mundial, em Recife um setor altamente qualificado espera faturar R$ 500 milhões este ano. É o setor de tecnologia de informação e comunicação, o chamado TIC, um dos mais desenvolvidos do país.

O Porto Digital, pólo de referência em TIC, fica no bairro do Recife, parte antiga da capital pernambucana. Ele reúne 117 empresas, além de duas incubadoras, em uma área de cem hectares, encravada em uma região portuária.

"Para o setor de tecnologia da informação, os momentos de crise são especiais, porque as tecnologias representam o principal fator de melhoria dos padrões de eficiência produtiva", diz o presidente do Núcleo de Gestão do Porto Digital, Francisco Saboya Neto. "As empresas que inovam no campo de tecnologia de informação e de comunicação ficam mais competitivas."

Saboya diz que a área de tecnologia de informação e comunicação é menos exposto aos problemas da economia. "Em momentos de crise, as empresas precisam aumentar o padrão de produtividade para sobreviver e recorrem à tecnologia. Por isso, o setor de TICs fica menos vulnerável à crise, porque ele é uma das condições para sair da dela."

Nas empresas do Porto Digital trabalham cerca de 4 mil pessoas. Do total, 90% são profissionais com nível superior, 46% têm até 25 anos e o salário médio é de R$ 2,5 mil.

Entre as empresas instaladas no parque tecnológico, 49% são micro, 40% pequenas e 11% médias e grandes, como a IBM, Motorola, Samsung, Nokia, Dell e Microsoft.

As empresas do Porto Digital desenvolvem softwares para as áreas de gestão e de segurança, soluções para o sistema de finanças e de saúde, games e sistemas de gerenciamento de tráfego e transporte. Além disso, criam sistemas integrados para desenvolvimento de portais, extranet e intranet.

Com a crise, acrescenta Saboya, os investimentos vão continuar para dar mais robustez às empresas do parque tecnológico. "O próprio Porto Digital tem hoje R$ 16 milhões para investir no fortalecimento das empresas."

O Porto Digital conta com recursos governamentais. Ele surgiu da articulação entre universidades, iniciativa privada e Poder Público. Os recursos que o Núcleo de Gestão do Porto Digital pretende repassar às empresas são provenientes de aluguéis cobrados pela ocupação do espaço e repasses orçamentários do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT). Além disso, as empresas do pólo contam com incentivo fiscal. Em 2007, elas receberam desconto no Imposto Sobre Serviços (ISS), que caiu de 5% para 2%.

Criado há oito anos, o parque tecnológico se desenvolveu ao ponto de ser citado entre as quatro referências mundiais no setor pela revista Learning By Sharing, editada pela International Association of Science Parks.

O Porto Digital divide a liderança do ranking com o parque de Manchester, no Reino Unido, o parque de Andhra Pradesh, na Índia e o parque de Andaluzia, na Espanha.


SELO DE PROCEDÊNCIA


Sem crise: Porto Digital de Recife espera faturar meio bilhão de reais:
Créditos: DivulgaçãoAgregar valor ao produto também é uma alternativa para continuar crescendo em tempos de crise, na avaliação dos empresários do Porto Digital, parque tecnológico da capital pernambucana que abriga 117 empresas de altíssima tecnologia e duas incubadoras.

Por isso, o Núcleo Gestor do Porto Digital encaminhou ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi) um projeto de criação de um selo de procedência. Em no máximo um ano e meio, as empresas do pólo devem passar a usá-lo nos seus produtos, prevê o presidente do núcleo, Francisco Saboya Neto.

Esse é um exemplo dos projetos que serão implantados no Porto Digital com o objetivo de "andar no contra fluxo" da crise econômica mundial e de seus efeitos no Brasil, diz Saboya.

Caso o processo seja aprovado, o Porto Digital será o primeiro pólo de produção tecnológica com certificação. "Isso só se consegue quando se estabelecem atributos para auditar. Na hora em que as empresas conseguirem atendê-los, receberão o Selo Porto Digital", diz Saboya.

O selo de procedência deverá contribuir para expandir os negócios das empresas, acrescenta o presidente do Porto Digital. "Isso facilitará o trabalho delas no mercado e, com certeza, vai aumentar muito o valor agregado dos seus produtos", comenta.

O Brasil tem quatro regiões reconhecidas pelo Inpi com selo de procedência: o Cerrado de Minas, com seus cafés; Pampas Gaúcho (RS), com a carne bovina; o Vale dos Vinhedos, também no Rio Grande do Sul, com os vinhos; e Parati (RJ), com sua produção de cachaça.

Além do selo, outros projetos estão sendo desenvolvidos no Porto Digital. Entre eles, o da criação de uma nova incubadora.

 

Fonte:
Agência Brasil
Luciana Lima
Enviada especial