Prefeituras cedem ônibus para as famílias do MST

14/04/2009

Prefeituras cedem ônibus para as famílias do MST

 

Integrante do MST de Santa Luz, Gildásio Nunes Nascimento, 36 anos veio com a esposa e dois filhos participar do protesto no CAB. "Chegamos ontem(domingo) 5 horas da tarde e não temos hora para voltarmos. Se for necessário ficaremos aqui durante uma semana ou mais", disse, enfatizando que os grupos viajaram em ônibus cedidos pelas prefeituras dos municípios.

"O governo Lula foi eleito com a força da reforma agrária e até agora a reforma foi zero", desabafou Jorge Sena do Carmo, 34 anos, acompanhado dos irmãos mais jovens, Diego Sena, 19 anos e Eliudo Sena, 23. "Exigimos o assentamento de 25 mil famílias que há anos tem lutado por isso. A nossa expectativa é a de que eles cumpram com o pedido antes que esse governo acabe. Se a gestão mudar vai ser pior", acrescentou Eliudo.

Quando questionados sobre a forma em que vivem, muitos sem-terra respondem que é a justificativa estar na necessidade por terra e emprego. "Somos filhos de agricultores, queremos trabalhar, mas não temos como, pois os latifundiários prendem os pedaços de terra", afirmou Evando Souza de Jesus, 48 anos. "Se a nossa luta não fosse necessária não estaríamos aqui", argumentou o jovem Do Carmo para depois lembrar as dificuldades vividas nos acampamentos, principalmente na região do município de Santa Luz, onde a seca tem atingido as comunidades nos últimos meses. "Estamos sem água. Tem sido um sufoco, pois o caminhão pipa só passa duas vezes na semana no máximo", enfatizou.

Para o sem-terra Milton Santos, 54 anos, há mais de 7 anos no MST o governo federal e estadual tem obrigação de olhar pelas causas do movimento. "Fomos nós que olhamos para eles quando precisaram, por isso queremos melhorias para os onze acampamentos de nossa região e para os de todo o país. Estamos cansados de promessas", reforçou.