Sem certificação, estão ilegais
A perda da produtividade é apontada como um dos principais reflexos da utilização de sementes ilegais ou piratas, como são mais conhecidas no mercado as sementes sem certificação.
Segundo dados do Ministério da Agricultura, 50% das sementes utilizadas no Brasil se enquadram neste perfil. Na soja, estudos apontam que 60% das sementes são ilegais e, no algodão, que ocupa 282.142 hectares de cerrado baiano, a estimativa de utilização de semente pirata é de 44% em todo o País.
Na região do cerrado da Bahia, onde mais de 1,7 milhão de hectares estão plantados na safra 2008/2009, os produtores de soja, que ocupa 965 mil hectares, temem as perdas decorrentes da doença mofo branco, que podem chegar a 50%. O presidente da Associação Brasileira de Sementes e Mudas (Abrasem), Ywao Miyamoto, ressalta que uma das formas de disseminação por fungo "é através da semente contaminada".
Ele chama a atenção sobre o ganho que o produtor consegue com a semente ilegal, que não passa de R$ 20 por hectare. "Considerando que o custo de produção pode ultrapassar R$ 1 mil, é uma economia pequena para os grandes prejuízos que ele pode ter, como queda de produtividade e proliferação de pragas e doenças", diz Miyamoto, destacando que nenhum produtor de sementes radicado na Bahia é ligado à Abrasem.
LEGISLAÇÃO - O engenheiro-agrônomo Ricardo Cruz, coordenador do projeto de sementes da Fundação de Apoio a Pesquisa e Desenvolvimento do Oeste Baiano (Fundação Bahia) enfatiza que existe o projeto de criar uma associação dos produtores de sementes na região oeste e reconhece que é grande o número de produtores que usam semente de procedência duvidosa.
Para o vice-presidente da Associação dos Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), Sérgio Pitt, é difícil definir o que é pirata, "já que existe legislação que permite ao produtor reproduzir a sua própria semente". Ele diz que a grande maioria dos agricultores do cerrado tem estrutura para classificar o grão "pois é difícil encontrar uma fazenda que não tenha silo, secador e mesa de classificação".
PESQUISA - Presidente da Fundação Bahia, Amauri Stracci confirma essa tendência de produção própria das sementes na lavoura, explicando que, pela altitude do cerrado, "todo grão bem colhido vira semente, diferente do Mato Grosso, onde apenas 5% da área é propícia para a produção de grãos destinados a semente".
Ele defende, no entanto, o reconhecimento dos produtores não apenas ao trabalho desenvolvido pela Fundação BA, que há mais de dez anos faz pesquisa na região e já lançou diversas variedades baianas de soja e algodão, mas também das empresas privadas que investem neste tipo de pesquisa.
"A prova de que a pesquisa é fundamental neste ramo é que há 25 anos nós colhíamos no cerrado baiano a média de 18 sacas de soja por hectare. Chegamos a 35 sacas, saltamos para 50 e hoje temos variedades produzindo até 80 sacas por hectare.
Isso é pesquisa, que só vai conseguir avançar se o produtor valorizar essa semente", diz Stracci. Ao comprar a semente certificada, o produtor ajuda a pagar o custo dos estudos, diz.