Câmara setorial vai melhorar qualidade e sanidade do leite

24/04/2009

Câmara setorial vai melhorar qualidade e sanidade do leite

Fazer com que a produção do leite seja competitiva, com resultados satisfatórios para os produtores, e colocar no mercado produtos de qualidade e com sanidade. Esses são alguns dos objetivos da Câmara Setorial do Leite, instalada ontem pela Secretaria da Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária (Seagri), no auditório da Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab),

O ato foi presidido pelo secretário da Agricultura, Roberto Muniz, menos de uma semana depois da criação da Câmara Setorial do Cacau do Estado da Bahia.

A Bahia tem o terceiro rebanho leiteiro do país, mas é o sétimo em produção, por causa da baixa produtividade dos animais.

Para o secretário Roberto Muniz, este é um grande desafio a ser vencido, o que passa pela melhoria genética do rebanho, a oferta de mais alimentos para o gado e estabilização do preço do leite. "Estamos discutindo com os agentes financeiros, (BNB, BB e Desenbahia), uma linha de crédito para a cadeia do leite, e devemos lançar um projeto para implantar 100 tanques de resfriamento na Bahia", adiantou.

A criação da câmara foi festejada pelo presidente da Federação da Agricultura do Estado da Bahia (Faeb), João Martins da Silva. "A câmara vai coordenar ações de governo para que a Bahia se torne auto-suficiente na produção de leite. Vai fazer com que o produtor de leite seja competitivo, com o uso de novas tecnologias e técnicas atuais, em igualdade de condições com outros centros produtores do país", destacou o presidente da Faeb.

Controle de qualidade – Segundo o diretor geral da Adab, Cássio Peixoto, as ações da agência ratificam o trabalho do órgão no estado, principalmente nas atividades de supervisão dos estabelecimentos que comercializam leite, no combate aos laticínios clandestinos, intenso trabalho de educação sanitária, bem como na fomentação e implantação de novos laticínios para beneficiamento do leite.

"A meta é, através do programa de certificação de propriedades realizada pela Adab, buscar o reconhecimento de estado livre de tuberculose e brucelose, doenças que podem ser transmitidas pela ingestão de leite contaminado ou sem inspeção", concluiu Peixoto.

A câmara setorial tem também o objetivo de definir os caminhos do leite na Bahia e propor políticas públicas que contribuam para tornar o estado auto-suficiente na produção do leite e buscar soluções, como a melhoria genética, certificação, acesso do produtor ao crédito, criação de novas linhas de financiamento e prazos para pagamento, além da geração de emprego e renda.

A Bahia é o maior produtor de leite no Nordeste, com 911 milhões de litros/ano em 2007, e terceiro rebanho de pecuária do leite do país, sétimo produtor nacional, tendo uma média de produtividade de leite/vaca/dia com 3,5 litros.

Essa produção, no entanto, ainda é insuficiente, uma vez que o consumo interno é estimado em 1,5 bilhão de litros/ano. As principais bacias leiteiras do estado estão localizadas nos Territórios de Identidade do Extremo Sul, Itapetinga, Litoral Sul, Médio Rio de Contas, Portal do Sertão e Vitória da Conquista.

Na Bahia, 80% dos produtores de leite são classificados como pequenos. A grande dispersão territorial dos estabelecimentos, aliada à precariedade dos meios de transporte, resulta em altas perdas e custo de frete elevado.

Projeto cria modelo para a produção leiteira orgânica

Avaliar e desenvolver um modelo de produção orgânica de leite para bubalinos e bovinos respeitando os princípios agroecológicos. Esse é o objetivo do projeto de pesquisa desenvolvido pela Secretaria da Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária, por intermédio da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA), com recursos do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), que visa otimizar a produção leiteira e colaborar com o aumento da renda dos agricultores familiares, sem comprometer a biodiversidade do ecossistema.

Os trabalhos de pesquisa começaram este ano na Estação Experimental de Aramari, região de Alagoinhas, e participam do projeto os produtores rurais dos territórios Cidadania Litoral Sul e Baixo Sul, para produção orgânica de leite com bubalinos e bovinos.

Os agricultores familiares dos territórios Litoral Norte e do Agreste de Alagoinhas, que estão no entorno da Estação Experimental, além de poder acompanhar as pesquisas na área de produção de leite, serão beneficiados com os trabalhos voltados para a diversificação de culturas e preservação ambiental, que também fazem parte do projeto.

Manejo – Segundo Antonio Vicente Dias, veterinário da EBDA, o projeto será executado na Estação Experimental e em duas propriedades dos territórios que englobam o extremo sul do estado, até 2011.

Estão previstas ações de manejo orgânico de solos, controle alternativo de formigas cortadeiras, homeopatia e fitoterapia no manejo sanitário dos animais, preservação de nascentes e cuidados ambientais.

O projeto também envolve ações de recuperação de áreas degradadas do solo – com manejo orgânico –, de matas ciliares e nascentes, e dos recursos hídricos.

A preocupação com o conforto térmico e o bem-estar animal é outra característica do projeto e também a qualidade do leite, determinada por análises realizadas pela EBDA e a integração de outras culturas ao sistema.

"Ao final deste projeto, pretendemos contar com uma unidade modelo de produção orgânica, na Estação Experimental de Aramari, onde os agricultores familiares serão treinados vivenciando uma realidade concreta", explicou Antônio Vicente.

O modelo de produção orgânica de leite adotado apresenta princípios agroecológicos e bases de sustentabilidade que permitem produzir a partir das técnicas orgânicas de cultivo, sem prejudicar o meio ambiente e os seres humanos.