Agricultura de precisão muda retrato do campo

04/05/2009

Agricultura de precisão muda retrato do campo

 

Nem só de máquinas vive a moderna agricultura brasileira. Além das sementes geneticamente melhoradas, o solo agricultável recebe doses precisas de tecnologia. "Há 23 anos os produtores brasileiros comemoravam a chegada ao campo de um trator para o preparo da terra, agora estamos avançando definitivamente na agricultura de precisão", afirma o professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e coordenador da Comissão Julgadora do Prêmio Gerdau Melhores da Terra, Luiz Fernando Coelho de Souza. Segundo informa, a atual crise econômica e a volatilidade própria do mercado de commodities agrícolas impulsionam a busca por soluções tecnológicas.

A aplicação da agricultura de precisão via utilização de equipamentos de alta tecnologia está em constante expansão. O plantio direto sobre palha já se consolidou como sistema de manejo, pela redução do impacto da agricultura no solo, ampliando a produtividade. "A agricultura nacional está entre as mais eficientes do mundo", diz Coelho. Segundo o professor, em 1983 a safra brasileira foi de 23 milhões de toneladas. O último levantamento da Companhia Nacional de Abastecimennto (CONAB) estima produção de quase 138 milhões de toneladas para a atual safra 2008/09, seis vezes em uma área apenas 30% maior.

Esse crescimento representa uma produtividade média de 0,62 toneladas por hectare para três toneladas produzidas, ou 4,84 vezes mais grãos. "Antes o produtor dependia de uma média, hoje ele têm consciência que toda média é burra e não garante rentabilidade", afirma o professor e pesquisador da Faculdade de Engenharia de Ilha Solteira (UNESP), Luiz Malcon Mano de Melo. Ele explica que a agricultura de precisão permite a análise de amostras georreferenciadas a partir de um mapa de aplicação "que mais parece um mapa da mina".

A pecuária é a atividade sobre a qual se aplica menos tecnologia, e no meio do caminho está a cana-de-açúcar, "por ser uma cultura perene que demanda o replantio ao final de um ciclo de seis anos", explica Malcon. Mas a tecnologia disponível permite reutilizar o vinhoto, subproduto da produção do etanol rico em enxofre e potássio, e dispensar a aplicação de fertilizante.

Muitas dessas inovações tecnológicas foram apresentadas durante a 16 edição da Agrishow que se encerrou domingo. A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) exibiu os resultados alcançados a partir do uso de tecnologia no campo. O pesquisador Lúcio André de Castro Jorge desenvolveu softwares para análise de troncos de madeira, de cobertura vegetal do solo e de folhas. O Anato Livre, por exemplo, permite que os pesquisadores e silvicultores avaliem o crescimento da planta e a qualidade da madeira cultivada. A cobertura vegetal do solo é medida pelo Siscob, que classifica as imagens e quantifica as alterações observadas para monitorar pragas, doenças e deficiências na lavoura. Para a análise foliar, o pesquisador da Embrapa desenvolveu o AFSof.