Algodão em alta no mês

04/05/2009

Algodão em alta no mês


 

A desvalorização do dólar e a expectativa de queda na safra do próximo ano fizeram o algodão liderar a valorização em abril na comparação com as principais commodities agrícolas. Nem mesmo as preocupações com a gripe suína, que poderia trazer mais prejuízo à economia dos países afligidos, conseguiram desbancar a fibra.

Até março, a volatilidade foi sua principal marca. À época, analistas explicavam que a crise global reduziria diretamente a demanda por seus derivados. Porém, nas últimas seis semanas a commodity tomou postura de alta e na quinta-feira fechou com os papéis para julho cotados em 54,35 centavos de dólar a libra-peso (0,45 quilos), alta de 1,89% em relação ao pregão anterior.

"Se continuar nesse mesmo ritmo até julho, poderia chegar em US$ 1 a libra-peso. Mas esse é um número inviável e em algum momento esses preços vão cair", observa Miguel Biegai, analista da Safras & Mercado. Segundo o Centro de Informações da Gazeta Mercantil, o algodão subiu 14,7% somente em abril.

"Porém esse canal de alta começou dia 18 de março", lembra o analista da consultoria. Tomando como base essa última data, a valorização foi de 27,4%. Conforme Biegai, o dólar, cujas cotações caíram 10% nas últimas semanas, foi responsável por quase metade desse movimento.

Especialistas explicam que como os produtos agrícolas são cotados em dólar, a desvalorização aumenta o poder de compra com outras moedas. Por esse motivo, o mercado corrige para cima os preços para manter o equilíbrio das compras. Além disso, Biegai explica que o algodão tem a seu favor uma safra menor em 2010. "De olho nisso, os investidores começam a comprar contratos agora, migrando para os que possuem maior liquidez conforme o vencimento dos atuais".

Nos casos de soja, milho e trigo, que sentiram mais os efeitos da epidemia por causa da expectativa de queda na demanda por ração, os fundamentos positivos ampararam as cotações durante o mês, porém com saldo positivo apenas para soja. No mês, a oleaginosa subiu 10,8%. O trigo, por sua vez, recuou 0,3%, seguido pelo milho, que caiu 0,6%.

O aumento nas exportações dos EUA e a demanda aquecida na China foram os principais fatores para a oleaginosa. Os contratos para julho ficaram em US$ 10,55 o bushel na quinta-feira, alta de 2,9%.

No mesmo pregão, o trigo e o milho fecharam em alta, com as informações de que as chuvas estão atrasando o plantio das culturas nos EUA. O trigo para julho fechou em US$ 5,365 o bushel, alta de 0,8%. Já o milho para julho subiu 0,5%, para US$ 4,035 o bushel.