Agricultura familiar sofre com chuvas no Nordeste
As chuvas que têm causado alagamentos e mortes principalmente no Nordeste do país são ainda motivo de particular preocupação para a agricultura de Maranhão e Piauí. Nesses Estados - que, com o nortista Tocantins, formam a região conhecida como Mapito -, a colheita da safra de grãos é realizada sempre depois da efetuada no Centro-Sul. As perdas no campo ocorreram, com isso, na época em que a safra já se encaminhava para o seu encerramento.
No Piauí, a contabilidade das perdas na agricultura ocasionada pelo excesso de chuvas deverá ser apresentada nesta segunda-feira, de acordo com Paulo Rego Monteiro, superintendente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Estado. Os reveses abateram as plantações de soja e arroz, segundo ele, mas principalmente as lavouras da agricultura familiar.
No Estado, os alagamentos afetaram de maneira mais pronunciada as áreas de plantio da região norte, caracterizada mais pela agricultura familiar do que pela de propriedades de maior porte, concentradas mais ao sul. No levantamento da safra de grãos apresentado nesta quinta-feira - que, portanto, não pôde apurar os reflexos das chuvas em excesso sobre a produção agrícola - a COMPANHIA NACIONAL DE ABASTECIMENTO (CONAB) projeta aumento de 8% na área dedicada à soja no Piauí, para 273,9 mil hectares, e de 4,5% na produção, que deve atingir 856,2 mil toneladas na temporada 2008/09.
Tampouco foram contabilizadas ainda as perdas causadas pelas chuvas no Maranhão. Não há condições logísticas para a tarefa, segundo informações da Federação da Agricultura e Pecuária local. Técnicos e dirigentes da entidade ainda não puderam fazer o levantamento dos prejuízos porque não há condições de tráfego nas áreas mais atingidas.
Os alagamentos são mais preocupantes para a região centro-sul do Estado, e não no sul, onde fica Balsas, o principal polo de produção de grãos maranhense. Ainda assim, a situação preocupa porque não há condições de escoamento da soja já colhida na região para o porto de Itaqui, principal via de escoamento da produção do Estado.
Mesmo em Tocantins, que completa o tripé da região do Mapito, há um sinal de alerta por conta das chuvas. A Defesa Civil local está monitorando 13 municípios que correm risco de alagamentos. Os rios Araguaia e Tocantins estão em nível considerado acima do normal.