Desenvolvimento com democracia no campo

08/05/2009

Desenvolvimento com democracia no campo

 


O agronegócio brasileiro é a industrialização de tudo o que é produzido nas fazendas agrícolas ou pecuárias do País. O setor tem representado, em média, ao redor de 25% do PIB nacional nos últimos 10 anos, ou seja, R$ 642,6 bilhões em 2007, segundo o Cepea/Esalq. Os números de 2008 ainda não foram consolidados, mas caminham para um crescimento entre 5,5% a 6,5%. Para 2009, ainda é uma incógnita, mas se o agronegócio apenas mantiver seu desempenho de 2008, será positivo.

Por que estou apontando esses fabulosos números? Porque o Movimento-Sem-Terra (MST) em recente manifestação em São Paulo e pelo País afora tem como mote as palavras de ordem: "Contra a Crise Econômica e Reforma Agrária Já". Dizem: "Temos que assentar as famílias acampadas e fazer um programa de agroindústrias para fortalecer a produção e garantir renda às famílias", afirma João Paulo Rodrigues, da coordenação nacional do movimento.

Quando o sr. Rodrigues diz no site do MST que precisa fortalecer a agroindústria, nós da Sociedade Rural Brasileira (SRB) entendemos que é nesse sentido que se deve caminhar. Não acreditamos que destruir empresas e invadir fazendas seja solução. Em pleno século XXI fazer Reforma Agrária ao moldes do século XIX, pela força, está fora de moda. A sociedade de hoje, com mais acesso à informação, está mais preparada que há 25 anos, quando o MST começou.

O "Brasil Legal" tem feito uma reforma agrária responsável. O MST ignora tais iniciativas. Na primeira gestão do governo Lula, foram desapropriados para fins de reforma agrária 31,6 milhões de hectares de terra.

Entre 2007 e 2008, os números mais recentes do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) apontam para 10,6 milhões de hectares. Logo, temos 64,205 milhões de hectares desapropriados, que atendem a 1,059 milhão de famílias assentadas, entre 1995 a 2008. Ultrapassa a meta apregoada pelo MST de assentar um milhão de pessoas no País. Em tese, a missão está cumprida e as invasões não têm razão de ser.

O que eu não entendo é por que entidades como o MST insistem em ignorar que o governo Lula fez e dizem que "não fez nada pela reforma agrária". A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, se quiser sair candidata pelo seu partido no ano que vem terá um "angu de caroço" para administrar. Existem mais de 70 movimentos que invadem fazendas no Brasil, sendo o MST o principal deles com 217 invasões de um total de 298 somente em 2007. Em 2008 foram 230 invasões. Entre 2000 e 2007 ocorreram 4.008 invasões. Não há mais espaços para ilegalidades.

O agronegócio brasileiro gera milhares de empregos diretos. Segundo o Sebrae-SP, das sete milhões de propriedades rurais do País, 6,5 milhões são de pequenos produtores.

O agronegócio brasileiro deve se recuperar à medida que a economia for se estabilizando. Sou a favor do diálogo em detrimento da força. O modelo distributivista de terras é falho. Distribuir terras não é a solução, não garante vida melhor para ninguém. Sem crédito, sem aptidão, conhecimento agronômico e financeiro, de insumos e de mercado, nem a agricultura de subsistência sobrevive.

Na verdade, a reforma agrária brasileira é um programa de estatização de terras privadas, que são desapropriadas para que pessoas sejam assentadas. A produção é insignificante e os assentados ficam eternamente dependentes do assistencialismo do Estado e do anacronismo do MST. Pois, os agricultores não recebem os títulos de propriedade e, por isso, não conquistam a emancipação.