Crise traz perda financeira de R$ 1,1 bi aos frigoríficos

19/05/2009

Crise traz perda financeira de R$ 1,1 bi aos frigoríficos

 


Perdas financeiras, prejuízos e aumento do nível de endividamento. Esse é o saldo do fatídico primeiro trimestre do ano dos frigoríficos brasileiros, pelo menos, os listados em bolsa. Juntos, Marfrig, Minerva e JBS somam perdas financeiras de R$ 660 milhões entre janeiro e março. Se considerar todo o período de crise, ou seja, desde o quarto trimestre de 2008, esse valor quase duplica, para R$ 1,1 bilhão. Pagamento de juros de dívidas e perdas com operações de hedge lideram as perdas.

Até por conta do seu porte, o JBS é que teve a maior perda financeira entre as três companhias. No primeiro trimestre foram R$ 446,6 milhões, dos quais cerca de R$ 300 milhões com perdas em contratos de derivativos cambiais que ficaram descobertos com o cancelamento de contratos e devolução de cargas de importadores. Em igual período de 2008, o resultado financeiro da JBS ficou negativo em R$ 31,4 milhões, menos de 10% da perda ocorrida em 2009. No acumulado da crise (desde outubro), o JBS R$ 685 milhões em perdas financeiras.

O Marfrig, o segundo maior frigorífico de abate de bovinos do País, teve resultados financeiros maiores do que os do JBS. O desempenho foi negativo em R$ 854 milhões desde outubro do ano passado (quando a crise mundial se agravou), até o final de março. O valor - que em parte não tem efeito caixa, somente mostra resultado da variação cambial nas dívidas futuras em moeda estrangeira - é equivalente a quase toda a geração de caixa da companhia em 2008 (Ebitda - lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) que foi de R$ 884,354 milhões.

A dívida líquida do Marfrig aumentou R$ 277 milhões entre o quarto trimestre de 2008 e o primeiro de 2009. Como o Ebitda encolheu fortemente de R$ 446,691 milhões para R$ 163,576 milhões, a relação desses dois indicadores, que estava em 3,67 vezes, avançou para 3,77 vezes nos primeiros três meses do ano. O Minerva, que divulgou seu balanço na noite de sexta-feira, registrou perdas financeiras de R$ 34,8 milhões no primeiro trimestre do ano, segundo 13,9 milhões com pagamento de juros. No último trimestre de 2008, esse resultado foi negativo em R$ 204,6 milhões, dos quais R$ 27,5 milhões com juros.

A empresa, que registrou lucro líquido ajustado de R$ 1 milhão, conseguiu elevar sua geração de caixa no primeiro trimestre, indo na contramão de suas concorrentes, que tiveram forte queda de Ebitda. O indicador foi de R$ 32,8 milhões, aumento de 11% em relação R$ 29,4 milhões do quarto trimestre de 2008.

Independência

O frigorífico Independência anunciou ontem a retomada dos abates na unidade de Rolim de Moura, em Rondônia. A unidade reinicia suas operações com abate de 500 animais por dia e com o quadro de colaboradores já existente. A empresa informou por comunicado que a reabertura da unidade foi possível com apoio oficial de uma comissão formada por pecuaristas da região. O frigorífico, que teve seu pedido de recuperação judicial aceito pela Justiça em 11 de maio deste ano , acumula dívidas de R$ 3,45 bilhões, dos quais R$ 172 milhões com pecuaristas.

O Independência conseguiu há um mês retomar parte do abate na unidade de Janaúba (MG). Para os pecuaristas do município, a empresa deve R$ 17 milhões. Lá, a empresa está pagando à vista pelo boi e, em alguns casos, antecipadamente, segundo informações do Sindicato Rural do município.