Uma paixão nacional chamada café
Domingo, dia 24 de maio, foi comemorado o dia nacional do café. Item quase essencial no cotidiano de muita gente, o famoso cafezinho é uma das paixões nacionais. Desde o século 18, quando o café foi trazido ao Brasil pelos portugueses, além de se tornar um dos principais produtos da economia do país, sempre esteve presente nas refeições dos brasileiros ou em momentos de descontração.
José Ellus Neto, médico patologista, diz que não há lugar nem hora certa para se apreciar um bom café, seja o café preto, pela manhã e no decorrer do dia, ou com leite, que costuma tomar no fim da tarde. Frequentador assíduo de casas de café de Curitiba, Ellus conta que bebendo seu cafezinho já fez muitos amigos e os encontra todos os dias para apreciar a bebida e bater um bom papo. "O café é um amor antigo, aprendi a apreciar quando criança e não passo um só dia sem ele", diz Ellus.
Outro frequentador dos 'cafés' curitibanos, Nilton Nery Conceição encontra velhos amigos todas as tarde para apreciar um bom café expresso. "Chego a tomar de cinco a seis cafezinhos por dia, e todas as tardes venho ao café", conta Nery. O aposentado diz ainda que a bebida deve ser apreciada de preferência na presença de uma boa companhia.
CAFÉ COMO PROFISSÃO
Heloisa Nass se considera uma apaixonada por café. A catarinense veio para Curitiba estudar ciências sócias na Universidade Federal do Paraná e todos os dias, depois de almoçar no Restaurante Universitário - RU - frequentava um estabelecimento especializado em bolachas, onde tomava café expresso. Entre os cafezinhos de todos os dias, Heloisa conheceu Carlos Fernandes de Souza, o proprietário do local. Da convivência, surgiu o namoro e a ideia de ampliar o negócio, unindo as bolachas ao café. Heloisa fez um curso de barista - curso de especialista em café - e deu início aos seus negócios no ramo.
Proprietária do 'café' há dez meses, Heloisa considera o hábito de frequentar cafeterias válido e saudável. Para ela, esse é o momento do dia em que as pessoas param tudo o que estão fazendo para apreciar um bom cafezinho, em um ambiente próprio e agradável. "O café de certa forma une as pessoas. As pessoas sempre vêm com amigos e quando sozinhas sentam-se no balcão pra conversar com agente". Heloisa vê com bons olhos o surgimento de cada vez mais cafeterias na cidade. Para ela, isso mostra que há um mercado bom e que pode ser muito bem explorado.
Elizabeth Cadaval também é proprietária de uma cafeteria em Curitiba. Além de oferecer mais de 30 tipos de café, dos mais tradicionais, como o expresso, aos mais inusitados, como o Café Lemon, preparado com café, suco de limão e gelo, proporciona cursos de barista. Após abrir a cafeteria, sentiu a necessidade de expandir a cultura do "bom café", algo que era praticamente desconhecido dos curitibanos. Como estratégia para atingir este objetivo, resolveu oferecer treinamentos para os 'concorrentes', que considera parceiros. A estratégia deu certo e até se tornou boa fonte de renda.
Elizabeth conta que foi da paixão pela bebida e pelo ambiente das cafeterias que surgiu o seu negócio. "É uma atividade que me encanta, pois além de lidar com um produto de aroma e paladar deliciosos, ainda me permite interagir com pessoas, seja oferecendo o delicioso café ou apenas batendo um bom papo". Para ela, o bom barista deve buscar a perfeição em cada café que prepara, e precisa ter a consciência de que nunca atingirá esta perfeição. Compara ainda a apreciação e o mercado do café ao do vinho. "Aos poucos, os mais populares perdem a força para dar lugar aos cafés de qualidade, que são, em sua maioria, produzidos no Brasil", afirma.
Fonte:
Jornal Comunicação
Universidade Federal do Paraná