Ciclo de preço baixo no café está no fim, diz Illy
A temporada 2009/10 será mais uma de déficit no balanço de oferta e demanda de café no mundo, o que indica que o mercado deve passar a ter uma tendência de alta de preços, avaliou o presidente da Illycaffe, Andrea Illy. "Nesta safra, a de ciclo baixo no Brasil, novamente vamos encontrar uma situação de déficit. Acho que os estoques (globais) vão atingir menos de 40 milhões de sacas, que é cerca de três meses de consumo, uma situação de fundamentos muito, muito tensa", afirmou Illy, na noite de segunda-feira, momentos antes do Coffee Dinner, evento promovido pelos exportadores brasileiros na cidade de São Paulo.
Ele acrescentou que, se houver algum problema climático, "é provável que os preços comecem a subir muito". "Acho que o ciclo de preços baixos está se invertendo, é preciso aumentar um pouco a produção", destacou o executivo. Illy afirmou que a safra 09/10 do Brasil, maior produtor e exportador mundial, deverá ficar entre 42 milhões e 44 milhões de sacas, volume superior à estimativa oficial do Ministério da Agricultura, de 39 milhões de sacas.
Em abril, Illy havia previsto a safra brasileira 09/10, cuja colheita está começando no Sul de Minas Gerais, em um intervalo menor, de 40 milhões a 42 milhões de sacas.
A torrefadora italiana de cafés de alta qualidade, que processa anualmente 350 mil sacas, das quais 250 mil de arábica brasileiro, avalia que a safra 2008/09 também está terminando com um déficit global, especialmente por problemas verificados na Colômbia e Vietnã, apesar de uma grande produção brasileira, de 52 milhões de sacas, em sua avaliação.
O Ministério da Agricultura do Brasil estima a safra 08/09, ano de alta no ciclo do arábica, em 46 milhões de sacas. Para Illy, o Brasil deverá produzir na sua próxima safra de alta no ciclo, em 2010/11, algo entre 52 milhões e 55 milhões de sacas, o que seria um recorde.
De acordo com Illy, o consumo mundial de café deverá crescer 1% neste ano, acompanhando o crescimento demográfico global.Uma queda no consumo em "coffee shops", restaurantes e hotéis, por causa da crise global, deve ser compensado por mais pessoas bebendo café em suas casas e escritórios, observou, lembrando que o desempenho da companhia vai bem em países da Europa, como a Alemanha, e também nos Estados Unidos.
Ele vê o mercado asiático, onde suas atividades estão começando, como muito promissor. "Se a fase de introdução é bem feita, pode gerar bons frutos no ano que vem... Estamos abrindo lojas na China, Japão e Coreia."
A Illy, cujo faturamento cresceu 3% em 2008, para 280 milhões de euros, ainda não tem previsões para 2009. "Vamos ver como se desenvolve a crise, vai depender muito da segunda parte do ano, poderia ser um ano de crescimento", disse ele, referindo-se a uma série de novos produtos lançados pela empresa.
Padrões de qualidade
"Pode cortar custos, mas não muito. Não tem outra solução, diante do aumento de custos, aumentar os preços", declarou ele, lembrando que a empresa prima por blends de qualidade e não cogitou adquirir cafés mais baratos para reduzir custos. Questionado sobre o alto custo do produto colombiano atualmente, ele afirmou que a Illy não é uma empresa "de volume, mas de qualidade", e que paga os preços que tiverem de ser pagos para manter o seu café no mesmo nível qualitativo.