Técnicos concluem mapeamento do Aquífero Guarani
A ação dos agrotóxicos na lavoura e a falta de saneamento básico em regiões metropolitanas onde se localiza o Aquífero Guarani podem sobrecarregar o manancial, que tem cerca de 7.500 poços que abastecem centenas de cidades. Na região do centro da cidade de Ribeirão Preto, em 30 anos, o aquífero baixou 60 metros.
Esses foram alguns dos problemas constatados pelo mapeamento da área, uma das fases do Projeto de Proteção Ambiental e Desenvolvimento Sustentável do Sistema Aquífero Guarani, que começou em 2003 e teve os resultados apresentado na semana passada durante na 21ª Reunião do Conselho Nacional de Recursos Hídricos (CNRH), em Brasília.
Situado no subterrâneo dos territórios da Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, com extensão total de 1.200.000 quilômetros quadrados, dos quais 840.000 no Brasil. O aquífero armazena cerca de 30 mil quilômetros cúbicos de água (dos quais apenas 2% podem ser aproveitados) e é considerado um dos maiores do mundo.
Segundo a geóloga Cláudia Lima, o fato de o nível ter baixado preocupa, mas não é grave. "Sempre que [se] explora, ele diminui, mas à medida que você vai fazendo uma gestão mais controlada, diminuindo o número de poços, acaba voltando para o equilíbrio". Cláudia Lima está no projeto desde 2004.
Para Luiz Amore, secretário-geral do projeto, o mapeamento foi a iniciativa mais importante. Ele disse também que a gestão do manancial deve ser cada vez mais local.
O projeto é realizado por técnicos do Brasil, do Paraguai, do Uruguai e da Argentina desde 2003. O objetivo do mapeamento foi ampliar os conhecimentos sobre o sistema, formular um marco legal, institucional e técnico de gestão conjunta entre Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, implementar uma rede de monitoramento permanente, um sistema de informações e elaborar o Plano Estratégico de Ações. O projeto é pioneiro na América Latina.
Outro resultado do estudo é a divisão de quatro projetos-pilotos de gestão: Rivera-Santana; Itapua, Concórdia Salto e Ribeirão Preto. O Brasil é responsável pela gestão de Rivera-Santana, em gestão conjunta com o Uruguai e de Ribeirão Preto.
A próxima etapa será a implantação do Plano Estratégico de Ações (PEA) que visa a identificar quais são as ações necessárias para resolver as principais ameaças a esse sistema aquífero. "[O Aquífero Guarani] é uma das maiores reservas de água doce do mundo, é estratégia nossa preservar", afirmou o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc.
O programa apontou 11 eixos de ação a serem desenvolvidos em nível local, regional, nacional e transfronteiriço. Entre eles as que estão mais diretamente no âmbito do governo brasileiro são a coordenação da rede de monitoramento, o apoio ao desenvolvimento da gestão local e o desenvolvimento de programas técnico-científicos específicos para temas estratégicos. "Acho que o mais importante é a gestão no sentido de proteção, preservação e utilização racional [do aquífero]", afirmou Cláudia Lima.
Foram investidos US$ 22 milhões no projeto, que foi implementado com recursos doados pelo Fundo para o Meio ambiente Mundial (GEF) e contrapartidas dos países, com o apoio do Banco Mundial e da Organização dos Estados Americanos.
A Coordenação Nacional do Projeto no Brasil esteve a cargo da Secretaria de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano do Ministério do Meio Ambiente(MMA).
PUBLICAÇÃO ABORDA O AQUÍFERO GUARANI
O livro Uso agrícola das áreas de afloramento do Aquífero Guarani no Brasil: implicações para a água subterrânea e propostas de gestão com enfoque agroambiental, editado pelo pesquisador da Embrapa Meio Ambiente (Jaguariúna/SP) Marco Antonio Ferreira Gomes, foi lançado em 2008 durante a programação da VI Exposição de Tecnologia Agropecuária - Ciência para a Vida, na sede da Embrapa, em Brasília (DF).
Com 417 páginas e 20 capítulos, dos quais 18 referem-se a resultados de pesquisa obtidos ao longo de mais de 12 anos de trabalho por meio de equipe multi-institucional, a obra aborda a questão de uso de áreas frágeis, como as do afloramento do Aquífero Guarani, com ênfase nas possíveis implicações ambientais, além de propor medidas preventivas e corretivas aos possíveis impactos negativos gerados.
Gomes diz que o trabalho apresenta alguns cenários atuais, ajustados ao longo de vários anos de pesquisa, com a proposição de medidas alternativas de uso e de manejo agrícola para algumas delas, tendo como estudo de caso três regiões, localizadas em quatro estados - Microbacia do córrego do Espraiado, Ribeirão Preto (SP); Nascentes do rio Araguaia em Mineiros (GO) e Alto Taquari (MT); e Microbacia do Arroio Jacaguá, região de Alegrete (RS).
"Para as duas primeiras áreas foram propostas também ações de gestão agroambiental, constantes na 3ª parte do livro, como procedimentos de apoio à sustentabilidade das mesmas e, conseqüentemente, do Aquífero Guarani, uma vez que esses procedimentos podem ser aplicados, com os devidos ajustes, para as demais áreas de afloramento", informa o editor técnico.
A obra é dividida em 3 partes. Na primeira parte - Água Subterrânea no Brasil - o Aquífero Guarani -, composta por dois capítulos, ambos de autoria de Marco Antonio Ferreira Gomes, são mostrados ao leitor as características e o potencial deste aquífero quanto a sua capacidade de abastecimento e alguns mecanismos que interferem na qualidade da água, tendo como referência algumas considerações de profissionais da área de hidrogeologia.
A segunta parte - Uso Agrícola das Áreas de Afloramento do Aquífero Guarani no Brasil e Impactos na Qualidade da Água Subterrânea - tem 15 capítulos de autoria de diversos pesquisadores da Embrapa Meio Ambiente em parceria com outras instituições de ensino e de pesquisa. Nela são relatadas as experiências e os resultados obtidos ao longo dos anos, enfocando o uso agrícola das áreas de afloramento do Guarani e seus impactos na qualidade da água subterrânea.
Já na última parte - (b>Ações de Gestão Agroambiental para as Áreas de Afloramento do Aqüífero Guarani no Brasil -, é composta por três capítulos, de autoria de pesquisadores da Embrapa Meio Ambiente, sendo alguns co-autores de instituições parceiras. Nela são relatadas propostas de gestão com enfoque agroambiental para as áreas de afloramento, como medidas alternativas de uso e de manejo agrícola. Nessa abordagem, de acordo com Gomes, foram consideradas duas regiões, localizadas em três estados - Microbacia do Córrego do Espraiado, Ribeirão Preto (SP), Nascentes do Rio Araguaia, em Mineiros (GO) e Alto Taquari (MT) .
O livro é destinado a técnicos do setor agropecuário, pesquisadores, professores e estudantes de ensino superior que atuam na área ambiental e na interface das relações entre a agricultura e o meio ambiente. Informações adicionais e aquisição podem ser obtidas no site da Embrapa Meio Ambiente.
Fonte:
Agência Brasil
Tereza Barbosa - Edição
Embrapa Meio Ambiente