Agricultores do Oeste baiano terão R$ 1,2 milhão para pesquisas
Uma verba de R$ 1,2 milhão para pesquisas foi a surpresa com a qual o governador Jaques Wagner presenteou os produtores do Oeste baiano.
O anúncio foi feito durante a inauguração da nova sede da Fundação de Apoio à Pesquisa e Desenvolvimento do Oeste da Bahia (Fundação Bahia) e do Centro de Pesquisa e Tecnologia do Oeste da Bahia (CPTO), no município de Luís Eduardo Magalhães.
O evento fez parte da abertura da Bahia Farm Show 2009, onde foi assinado também um protocolo de intenção para a implantação de um centro de pesquisas para a agricultura familiar.
O protocolo de intenção foi firmado entre o Governo do Estado, as prefeituras de Barreiras e Luís Eduardo Magalhães, a Fundação Bahia, Banco do Nordeste, Banco do Brasil e entidades representativas dos trabalhadores rurais. O objetivo é implementar um centro de pesquisa direcionado à agricultura familiar no cerrado.
Segundo o secretário da Agricultura, Roberto Muniz, a Fundação Bahia desenvolve, com recursos próprios, pesquisas para o agronegócio dentro dos assentamentos da região. "A junção dos grandes com os pequenos vai melhorar a produtividade, que já é destaque na soja, no milho, no algodão. Queremos que a região seja referência para a agricultura familiar", afirmou.
Impulso – Com a mudança da Fundação Bahia para a nova sede – a antiga ficava em Barreiras –, a entidade abrigará, além das dependências administrativas, as instalações do CPTO.
O trabalho desenvolvido pela fundação, criada e mantida há 11 anos pelos produtores locais, é visto como um dos principais responsáveis pelo impulso do agronegócio regional. As obras começaram há dois anos com o lançamento da pedra fundamental por Wagner.
Segundo o diretor-presidente da fundação, Amauri Stracci, o governo sempre tem aportado recursos para a instituição por meio do Fundeagro. "Nós vamos conseguir, com este R$ 1,2 milhão anunciado pelo governador, levar adiante o projeto de desenvolvimento da cana, para que possam vir mais empresas e dar sustentabilidade à região", afirmou.
O CPTO é considerado o maior do Norte/Nordeste, com mais de 2,3 mil metros quadrados de área construída. No local funcionarão quatro laboratórios voltados para fitopatologia, entomologia, nematologia e sementes, 120 hectares de lavouras irrigadas através de pivô central, além de auditório, refeitório, campo experimental, armazéns e galpões.
Decreto regulariza o passivo ambiental na região
Os produtores do Oeste comemoraram também, na ocasião, a publicação do decreto que estabelece as regras para se regularizar o passivo ambiental na região, criando assim o Oeste Sustentável. Wagner disse que está encaminhando uma solicitação ao Ibama para que venha a aderir ao pacto. "No que diz respeito ao Estado, estamos dispostos a conceder a anistia", afirmou.
Wagner disse que o decreto estabelece uma regra que dá muito mais tranquilidade para os produtores que querem trabalhar dentro do conceito de sustentabilidade. "Inclusive, os produtores que já receberam multas podem receber uma anistia", observou.
Segundo ele, esta é uma postura de abertura do Governo do Estado, que reconhece a importância da região para a economia baiana e brasileira. "Os empresários estão absolutamente satisfeitos, mas liberdade corresponde a reciprocidade. A regra tem que ser cumprida e o que estamos buscando é uma modelagem não punitiva", comentou.
O empresário e presidente da Associação de Irrigantes do Oeste da Bahia (Aiba), Walter Horita, disse que já foram aplicados, aproximadamente, R$ 35 milhões em multas e que está prevista a redução de até 90% desse valor.
"Quem já recebeu a multa tem a condição de reduzir e solicitar o parcelamento para a sua quitação e quem não foi tem o prazo para procurar o órgão competente, procurar a Aiba, fazer o seu cadastramento e adquirir a sua licença ambiental para produzir", alertou.