INGÁ inicia visitas às Áreas Sujeitas à Desertificação na Bahia

05/06/2009

INGÁ inicia visitas às Áreas Sujeitas à Desertificação na Bahia

 

 

O convênio de cooperação técnica entre o Instituto de Gestão da Águas e Clima (INGÁ) e a Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs) para as ações do Programa Estadual de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca (PAE-Bahia) será oficializado nesta quarta-feira (13 de maio), às 09h, no auditório Paulo  Jackson, na sede do INGÁ, no Itaigara e contará com a presença de autoridades públicas, ONG´s e entidades ambientalistas.

O programa, que será executado pelo Governo do Estado da Bahia, através do INGÁ, com apoio da Uefs, terá um investimento de R$ 1,5 milhão, e irá beneficiar cerca de 3,7 milhões de baianos que vivem em 289 municípios localizados no semi-árido através da implantação do Plano Estadual de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca (PAE-Bahia).

O INGÁ dá o primeiro passo para a construção do diagnóstico socioeconômico e  ambiental do processo de desertificação no semi-árido baiano e inicia as primeiras visitas técnicas à região de Guanambi a partir dessa segunda-feira (11 de maio) para ações de mobilização com as comunidades e identificação de características peculiares dos moradores e da região. O objetivo é conhecer Áreas Sujeitas à Desertificação (ASD) na região de Guanambi e promover ações de mobilização social para discussão sobre o uso sustentável de ecossistemas frágeis do semi-árido baiano.

A equipe formada por 20 profissionais ficará em campo até o dia 22 de maio, passando por 18 municípios que estão inseridos dentro dos pólos de ASD – Caetité, Igaporã, Matina, Candiba, Lagoa Real, Licínio de Almeida, Jacaraci, Pindai, Urandir, Sebastião Laranjeiras, Guanambi, Palmas de Monte Alto, Iuiu e Malhada - que fazem parte do convênio com a Uefs, incluindo também as cidades de Ibiassucê, Caculé, Jacaraci, Mortugaba e Riacho Santana.

Segundo Maria Nilza de Jesus, coordenadora da unidade de desertificação do INGÁ as visitas serão feitas em três momentos. A sensibilização do tema começa no encontro com os representantes políticos de cada município, onde será explicada a necessidade de mobilização com a zona rural. Também estão planejados eventos com a população local e, por último, entrevistas sobre o histórico socioeconômico da localidade com famílias de pescadores, quilombolas, agricultores, organizações e sindicatos que ajudem na identificação da origem do lugar, do meio de subsistência, questões sobre a saúde no município, se praticam alguma atividade extrativista e se há conhecimento sobre áreas de desertificação.    

“Vamos conhecer de perto a realidade das áreas atingidas e iniciar o combate à desertificação na Bahia com a colaboração do Movimento de Luta pela Terra, da Cáritas Brasileira e representantes das Unidades Regionais do Ingá, das cidades de Senhor do Bonfim, Feira de Santana, Barreiras Irecê, Juazeiro e Guanambi. Queremos trabalhar com entidades e o poder público para que haja uma grande articulação, e com isso possamos dar também visibilidade às experiências locais sobre desertificação”, ressalta.  

Desertificação na Bahia

O INGÁ identificou 52 municípios vulneráveis ao processo de desertificação no Estado, situados no entorno das regiões de Guanambi, Juazeiro, Irecê e Jeremoabo, onde será iniciada a primeira etapa do programa.

Em cada uma das quatro regiões, serão identificadas as condições socioeconômicas, climáticas, levantamentos demográficos e também uma análise da vegetação, através de coletas e workshops sobre as condições dos municípios em destaque.

Como parte do convênio com a Uefs, o INGÁ ficará responsável pelo monitoramento e coordenação do diagnóstico socioambiental realizado pela Uefs nos 52 municípios localizados em quatro pólos regionais: Guanambi, Irecê, Juazeiro e Jeremoabo. Serão realizadas ações de mapeamento detalhado das condições de degradação ambiental e os processos de desertificação, através do levantamento do solo, vegetação, fauna e contexto socioeconômico.

Para Ana Paula Dias, coordenadora da coordenação socioambiental do INGÁ, é importante mobilizar um maior de número de pessoas possíveis para que essas informações possam contribuir como subsídios para a elaboração do Plano Estadual de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca que dará início ao Programa Estadual de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca.

Mais dados sobre desertificação

De acordo com a Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação – UNCCD-, a desertificação é um processo que culmina com a degradação das terras, dos solos, dos recursos hídricos, da vegetação e da biodiversidade nas zonas áridas, semi-áridas e subúmidas secas, como resultado da ação de diversos fatores, com destaque para as variações climáticas e as atividades humanas, a exemplo do extrativismo de madeira, desmatamento desordenado, queimadas, a erosão do solo, entre outros.

O processo de desertificação provoca três tipos de impactos: ambientais, sociais e econômicos. No primeiro, ocorre a perda da biodiversidade e a extinção de espécies. Mas outros impactos da desertificação também podem acarretar prejuízos ao meio ambiente, como a redução dos recursos hídricos, o aumento do processo de erosão do solo, a redução da área agricultável-, esta consequência eleva custo da produção, provocando o aumento da pobreza e desencadeando uma crise social que provoca a migração das pessoas afetadas pelo fenômeno.