Horta promove inclusão social

10/06/2009

Horta promove inclusão social

 


Com um trabalho de conscientização sobre educação ambiental e importância de uma alimentação saudável à base de produtos orgânicos, a Unidade Didática Horta Educativa, há 15 anos voltada apenas para os que vivem no Centro de Reabilitação e Prevenção de Deficiência (CRPD), abriu ontem, pela primeira vez, 120 vagas para a comunidade itapagipana e do subúrbio ferroviário.

O projeto é realizado pela Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA), da Secretaria Estadual da Agricultura (Seagri). O objetivo é promover a inclusão de jovens e adultos com ou sem necessidades especiais por meio de atividades práticas, como o cultivo de hortaliças, além de trabalhar a noção de conhecimento sobre educação ambiental e alimentar, agroecologia, cidadania, jardinagem e agricultura urbana.

Segundo o presidente da EBDA, Emerson Leal, a parceria da empresa com as Obras Sociais Irmã Dulce (Osid) estabelece uma nova relação de responsabilidade social entre a EBDA e a instituição.

"A expectativa é de que essa parceria apresente resultados que beneficiem as comunidades urbanas e contribua de forma direta para o desenvolvimento das habilidades das pessoas envolvidas na iniciativa", disse.

As atividades vão durar três meses e serão quatro turmas em dois turnos: matutino e vespertino. A seleção dos participantes será feita em entrevistas de avaliação. Para participar é necessário ter, no mínimo, 14 anos, morar em Itapagipe ou no subúrbio ferroviário, ter interesse pelas atividades de horticultura e jardinagem e disposição para trabalhar em grupo.

Prioridades - Terão prioridade as pessoas com necessidades especiais, do núcleo social e da comunidade, que tenham interesse no trabalho de horticultura. As vagas serão distribuídas gratuitamente, obedecendo ao seguinte critério: 70% para deficientes e os 30% restantes para moradores das comunidades vizinhas.

Para o professor e responsável técnico do CRPD das Obras Sociais Irmã Dulce, Jorge Oliveira, o projeto vai possibilitar que a população tenha não só a própria horta em casa, mas também uma renda extra.

Geração de renda - "As pessoas, aprendendo a respeitar o meio ambiente e as técnicas para o cultivo de hortaliças, jardinagem, agricultura urbana, poderão fazer no próprio quintal de suas casas a horta. Além de servir para alimentar a família, o excedente poderá ser vendido, gerando uma renda extra para essa família", explicou Jorge Oliveira.

Dessa forma, destacou Oliveira, além de absorver as 120 pessoas que farão parte do projeto, cerca de 480 famílias serão beneficiadas indiretamente.

Um dos beneficiados é o cadeirante Edvaldo Santos, que vive no CRPD. Ele observou todas as instruções do professor e coloca em prática tudo o que aprendeu. "Primeiro, a gente prepara a terra, aduba, coloca a semente, rega e espera brotar. Depois, a gente colhe e leva para casa. Se a colheita for boa e sobrar, a gente vende. É uma forma de me sentir útil, e trabalhar é bom", ressaltou.
 

Metodologia possibilita replicar a experiência em casa


A Unidade Didática Horta Educativa é constituída por canteiros suspensos em tubos de PVC, visando ao aproveitamento do espaço cultivado e ao atendimento às pessoas com limitações físicas. Já os canteiros, no solo, em folhas de PVC, visam à melhor utilização do adubo e da compostagem.

A metodologia de ensino utilizada permitirá aos professores a participação de turmas de, no máximo, 30 pessoas, nos turnos matutino e vespertino, com 80% das aulas ministradas na forma de treinamento e serviço.

No quintal - O funcionamento será às segundas e quartas-feiras, das 8 às 17h, com carga de 90 horas e desenvolvimento na própria unidade. Os participantes que tiverem hortas domiciliares terão acompanhamento diretamente em suas casas.

A horta educativa terá um papel importante como terapia ocupacional e alternativa de capacitação para o trabalho de pessoas com deficiência ou não que necessitem desenvolver habilidade em uma atividade produtiva.

Os trabalhos serão direcionados para o cultivo agrícola e orgânico em área urbana. Serão enfocados conceitos práticos de valores sociais, políticas do trabalho com a terra, manipulação de ferramentas, plantio, colheita e noções de comercialização. As inscrições para o projeto acontecem às segundas e quartas-feiras. Os interessados devem se dirigir ao Serviço Social do CRPD, portão 6, na Avenida Dendezeiros, 161. As aulas começam no dia 1º de julho.