Produtores de cacau de dez países criam bloco
Representantes de dez países produtores de cacau pretendem unificar o discurso e começar a agir em bloco para o mercado internacional.
“Hoje, os países produtores de cacau agem de maneira muito desarticulada, precisamos negociar no mesmo nível, como já fazem os consumidores”, comentou o diretor da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), Jay Wallace da Silva e Mota, que representou o ministro Reinhold Stephanes, nesta segunda-feira, 15, na abertura do 1° Workshop Internacional sobre Políticas de Cacau, evento que reúne produtores em Salvador até sexta-feira.
De acordo com ele, apesar de o setor ter movimentado, em 2008, aproximadamente US$ 2,8 mil por tonelada, a baixa produtividade das lavouras, hoje, causa o empobrecimento do produtor. O Brasil produz, em média, 300 quilos por hectare, enquanto a Malásia produz uma tonelada com a mesma área.
O diretor da Ceplac comenta que uma das causas da baixa produtividade no Brasil é a falta de acesso dos produtores a tecnologias. “A Ceplac detém tecnologia para triplicar esta produção, mas tem muito produtor que começou este trabalho e teve de parar no meio porque não teve acesso a crédito”, explica.
A dívida dos produtores de cacau no Brasil é estimada em cerca de R$ 960 milhões. O secretário da Agricultura da Bahia, Roberto Muniz, diz que aproximadamente oito mil produtores baianos aderiram ao Plano de Desenvolvimento do Agronegócio na Região Cacaueira do Estado da Bahia (PAC do Cacau), que, entre outras ações, pretende fazer a renegociação das dívidas.
O PAC do Cacau prevê R$ 2,4 bilhões em recursos a serem utilizados até 2016 na recuperação da lavoura cacaueira. Além da renegociação de dívidas, o PAC do Cacau prevê o adensamento da produção, diversificação de culturas com a inserção de mudas de seringueira, dendê e frutíferas, além da verticalização da produção por meio de incentivos para a instalação de indústrias de chocolate no sul da Bahia.
O empobrecimento dos produtores não é um movimento exclusivo da Bahia. “Hoje, a tecnologia produzida nos centros de pesquisa não chega às fazendas”, diz o secretário-executivo da Aliança dos Países Produtores de Cacau (Copal), Hope Sona Ebai.