Fruticultor aposta em crescimento do mercado interno

18/06/2009

Fruticultor aposta em crescimento do mercado interno

 

 

Plantação de uvas em Juazeiro, na região do São FranciscoA dispensa de 30 mil trabalhadores na lavoura de frutas em fazendas do Vale do São Francisco, no final do ano passado, não foi reflexo exclusivo da crise econômica mundial. Apesar da queda nas exportações para os Estados Unidos e da cotação do dólar terem interferido, e muito, para agravar o desempenho do setor, que movimenta anualmente em torno de R$ 2 bilhões, é a falta de políticas públicas o grande vilão da perda de 60% das receitas registrada nos últimos cinco anos.

Os empregados serão recontratados no próximo mês, como acontece todos os anos, e conforme prevê o presidente da Câmara do Vale do São Francisco, Ivan Pinto da Costa, mas os produtores continuam na mesma encruzilhada: não dispõem de plano-safra (financiamento para o plantio), muito menos de seguro para a produção.

Com a intenção de evitar a repetição do cenário registrado desde 2007 – extinção da safra e desemprego em metade do ano –, eles apostam em uma ferramenta para a alavancar o setor: a mudança no conceito da 20ª edição da Fenagri – Feira Nacional de Fruticultura Irrigada, que será lançada hoje, 15 horas, na Fundação Luís Eduardo Magalhães, no Centro Administrativo da Bahia (CAB). “Neste ano, o evento será voltado ao empreendedorismo, queremos criar um ambiente de negócios e ampliar o mercado consumidor, especialmente o interno”, explica o coordenador do evento e secretário da Agricultura de Juazeiro, Jairton Fraga. A expectativa é reunir, em quatro dias, 60 mil pessoas e gerar negócios na ordem de R$ 100 milhões.

Os organizadores também pretendem estreitar a relação com o governo federal e abrir a discussão para a criação de novas políticas públicas para o setor.  Até já conseguiram confirmar a presença do ministro da Agricultura Reinhold Stephanes. “Estamos em visita aos ministérios e ao Congresso Nacional para garantir o maior número possível de autoridades”, comentou Fraga, que ontem participou do lançamento nacional da Fenagri, em Brasília.

Desde 2007, os produtores optaram por deixar de plantar no primeiro semestre. Cansados de amargar prejuízos com as chuvas de 2004 a 2006, eles extinguiram uma das safras. “Como não há seguro para a produção, muita gente prefere não arriscar a perder dinheiro, já que o investimento em agricultura irrigada é alto”, explica Ivan Pinto.

Tipo exportação – A produção de frutas do Vale do São Francisco é voltada para a exportação. Segundo dados da Secretaria da Agricultura de Juazeiro, 96% da uva e 83% da manga produzidas lá são vendidas no mercado externo. “Não há números absolutos sobre o setor, já que muito do que é produzido é vendido diretamente pelas fazendas, mas estimamos que a produção movimente em torno de R$ 2 bilhões ao ano”, afirma Jairton Fraga.

É por isso que a crise econômica foi o “tiro de misericórdia” numa situação que já apresentava um quadro ruim. As chuvas do primeiro semestre aliadas à alta dos insumos e do custo de mão-de-obra contribuíram para agravar as dificuldades. Agora, as expectativas giram em torno de novos ambientes de negócios como a Fenagri. “Esta feira inova quando se torna um novo ambiente de negócios para a fruticultura”, aposta o secretário estadual da Agricultura, Roberto Muniz, referindo-se à mudança do evento. Instituições financeiras como Banco do Brasil, Banco do Nordeste e Desenbahia levarão à feira linhas especiais de crédito aos fruticultores, atendendo a um dos pedidos dos produtores.

Realizada há 20 anos, alternadamente entre as cidades de Juazeiro e Petrolina, a Fenagri perderá, este ano, o caráter de festa para se transformar em um evento de negócios. A organização é da Prefeitura de Juazeiro e Associação Comercial, Industrial e Agrícola do município. 


Serviço:
20ª Feira Nacional da Fruticultura Irrigada – Fenagri
De 15 a 18 de julho, das 14h às 20h
Campus III da Uneb – Juazeiro - BA
www.fenagri.com.br