Cal hidratada é usada para controlar vassoura-de-bruxa

25/06/2009

Cal hidratada é usada para controlar vassoura-de-bruxa

 


Velha conhecida de quem trabalha na construção civil, a cal hidratada está sendo considerada a mais nova arma para o controle da vassoura-de-bruxa, nos cacauais do sul da Bahia. O agricultor Cecílio José dos Santos diz que, em menos de um ano de uso do produto, em 30 hectares de cacau da Fazenda Recreio, em São José da Vitória, conseguiu neutralizar o limo produzido pela umidade, reduzir a podridãoparda e a vassoura-de-bruxa, obtendo aumento de 165% na produtividade do cacau.

Segundo o agricultor, antes do uso da cal, a fazenda colhia 264 arrobas por ano. Ele começou a usar o produto em 2008, e a produção pulou para 699, com previsão de colher mais de mil arrobas este ano. O agricultor, de 73 anos, trabalha como meeiro na fazenda e disse que conhecia o efeito positivo da cal nas plantas, desde moço, quando ainda trabalhava nos canaviais em Pernambuco, sua terra.

Santos chegou a usar em pés de tomate e mamão e o resultado foi maior crescimento e produtividade das plantas. “Onde a cal é colocada, fungos e vírus não prosperam”, diz. Em dezembro do ano passado, quando foi trabalhar na Fazenda Recreio, pediu ao proprietário que comprasse cal hidratada e malation (defensivo agrícola) para combater o monolônio (praga que ataca folhas e bilros do cacaueiro).

APLICAÇÃO – O agricultor Cecílio fez duas aplicações, em fevereiro e setembro, quando o cacaueiro troca de folha e ocorre o lançamento de vassoura. Em pouco tempo, as plantas criaram folha e o limo desapareceu.

A fazenda tinha quatro mil cacaueiros clonados, mas, sem saber, ele cortou quase tudo, deixando a roça com cacau comum e com o híbrido, que são mais suscetíveis à doença, mas até eles passaram a produzir muito. Cecílio Santos acredita que a cal influencia na polinização das plantas e até os cacaueiros machos passaram a produzir.

BAIXO CUSTO – Com a resposta positiva, o agricultor pediu e a Ceplac fez análise do solo em duas áreas: uma com a cal e outra sem o produto. Na parte que não recebeu esse tratamento, o ataque da vassoura continuou forte, a podridão-parda também e o limo não desapareceu. “Com a cal, os frutos se desenvolvem mais e até os ratos que atacam a plantação desaparecem”, diz. Além de eficiente, o tratamento tem baixo custo. Cecílio José diz que polvilha em cada hectare 8 kg do produto, que é vendido em sacos de 15 kg, custando, cada um, entre R$ 7 e R$ 8.

Segundo o fisiologista da Ceplac, Paulo Marroco, na área em que foi feita a roçagem e aplicação da cal e do inseticida, houve resultado positivo, mas, no laudo da visita, Marroco diz que ainda não tem elementos para saber se foi efeito apenas da cal.

O fisiologista conta que vai isolar uma área na Ceplac para fazer experimentos e poder responder se a cal agiu sozinha ou se foi o conjunto de práticas que produziu o bom resultado.

E, conforme aponta o professor e pesquisador da Unicamp, Gonçalo Pereira, a cal pode ter vários efeitos benéficos, desde a alteração local do pH na planta até a facilitação da polinização.