Países criam 3 barreiras comerciais por semana
OMC deve publicar nos próximos dias nova lista negra de medidas protecionistas adotadas para ""combater"" a crise
As maiores economias do mundo prometeram que não iriam recorrer a medidas protecionistas. Mas, desde o acirramento da crise global em setembro do ano passado, quase três barreiras ou medidas que distorcem o mercado internacional foram adotadas no mundo a cada semana. Os cálculos são do Global Trade Alert, um centro de estudos financiado pelo Banco Mundial e pelo governo inglês exatamente para monitorar a proliferação de medidas protecionistas pelo mundo.
Para os países em desenvolvimento, os grandes vilões não são as medidas pontuais de outros mercados emergentes, mas os subsídios bilionários de Estados Unidos e Europa a suas indústrias.
No total, o Global Trade Alert indica que já foram mais de cem medidas com o potencial de criar distorções, algumas delas no Brasil. A Organização Mundial do Comércio (OMC) deve publicar nos próximos dias sua nova lista negra de barreiras adotadas pelo mundo. O documento estava previsto para sair ontem. Mas, temendo desagradar a ministros de Comércio reunidos em Paris, a OMC vai segurar a conclusão da lista por alguns dias.
O Brasil, apesar de criticar o protecionismo em praticamente todos os fóruns internacionais, aparece na lista do Global Trade Alert como tendo usado barreiras, principalmente contra as importações chinesas.
Mas as novas medidas vão desde a exigência de se empregar trabalhadores locais em indústrias e restaurantes da Malásia como barreiras à carne de porco na Rússia ou obrigar funcionários públicos a usarem roupas produzidas localmente.
Todos concordam que, nos anos 30, a guerra protecionista aprofundou a crise e retardou a recuperação. Muitos ainda insistem nos organismos internacionais que o protecionismo deve ser evitado a todo custo. Mas com a pressão de eleitores e com o risco de um desemprego em massa, vários governos vêm se curvando ao protecionismo.
Ontem, a Coreia do Sul anunciou que deve dobrar as tarifas de importação para produtos como trigo e até gás natural.
Um governo de uma província australiana adotou medidas para impedir a concorrência externa em projetos de licitação local. No Equador, centenas de tarifas foram elevadas.
A Índia promoveu uma alta nas taxas de importação de brinquedos chineses, além de adaptar uma série de novas exigências técnicas para outros produtos. Anand Sharma, o novo ministro do Comércio da Índia, admitiu que as importações chinesas são uma grande preocupação para parte de sua indústria.
Enquanto isso, a Indonésia reduziu o número de portos pelos quais as importações podem entrar. Além disso, o governo sugeriu que todos os 4 milhões de funcionários públicos do país usassem apenas roupas e sapatos fabricados no país.
Mas o maior impacto, segundo os países emergentes, vem dos subsídios dados pela Europa e EUA em seus planos de relançamento da economia. Montadoras receberam bilhões de dólares, além de medidas para a ajudar o setor siderúrgico.
Na China, os pacotes de ajuda de mais de US$ 500 bilhões também foram avaliados como sendo um potencial mecanismo para garantir a competitividade dos produtos chineses e, portanto, distorcer os mercados. A principal preocupação de governos em todo o mundo é com a facilidade que empresas chinesas terão a partir de agora em licitações . O governo chinês é o maior investidor do país, mas o temor dos países é de que suas empresas fiquem de fora desse mercado bilionário.
Algumas das principais barreiras e medidas protecionistas dos últimos 9 meses
Protecionismo
América do Sul
Brasil - Elevou tarifas de importação para o aço, principalmente chinês
Equador - Elevou tarifas de importação para quase 5 mil produtos
Exportadores sul-americanos foram os mais afetados
EUA - Pacote de resgate da economia prevê privilégios às indústrias nacionais em licitações e no setor siderúrgico
Subsídios às exportações de leite, que haviam sido eliminadas, voltaram a ser aplicadas para ajudar os produtores locais.
Argentina, Uruguai, Brasil, Austrália e Nova Zelândia estão entre os mais afetados, já que precisam concorrer contra produtos com preços artificiais
Montadoras receberam
US$ 14 bilhões, o que daria uma competitividade maior em comparação às indústrias de outros países pelo mercado internacional
Europa
UE - Volta dos subsídios aos exportadores de leite, afetando competitividade de países emergentes no setor
Reino Unido - Novas restrições na entrada de trabalhadores estrangeiros
Rússia - Moscou usou a gripe suína para adotar restrições à carne de porco de vários países
Ucrânia - Elevação das taxas de importação em 13% para ""ajustar a balança de pagamentos""
Ásia e Oceania
Austrália - Governo de uma província australiana também adotou medidas para impedir a concorrência externa em projetos de licitação local
Índia - Elevação das taxas de importação de brinquedos chineses, além de adotar uma série de novas exigências técnicas para outros produtos.
Indonésia - País reduziu o número de portos pelos quais a importações podem entrar. Além disso, o governo sugeriu que todos os 4 milhões de funcionários públicos do país usassem apenas roupas e sapatos fabricados localmente
China - País adota o "Buy China", facilitando empresas chinesas em licitações públicas. O governo chinês é o maior investidor do país, mas o temor de países é de que suas empresas fiquem de fora desse mercado bilionário
Coreia do Sul - País anunciou que vai dobrar as tarifas de importação para produtos como trigo e até gás natural.