Técnica da compostagem só traz vantagens a solos degradados
A técnica de reciclar para produzir riquezas a partir de restos orgânicos que, se não sofrerem processo de biodegradação, terão papel poluidor do meio ambiente, é chamada de compostagem.
Esse processo de reciclagem produz riquezas para o solo e ajuda na produção de alimentos e geração de emprego.
Um dos defensores dessa técnica utilizada por produtores no Vale do São Francisco, na região de Juazeiro (500 km de Salvador), é o engenheiro agrônomo e professor da Universidade do Estado da Bahia (Uneb) Paulo Pinto.
Segundo o professor, a compostagem é um processo de restauração natural que decompõe resíduos orgânicos e que, quando aplicado ao solo, não possui efeitos adversos ao meio ambiente.
O composto que será utilizado pelos produtores no preparo do solo antes do plantio de qualquer cultura vem da degradação biológica de produtos orgânicos, e o processo de decomposição é produzido por gás carbônico, calor, água e matéria orgânica compostada.
BENEFÍCIOS – A compostagem tem diversas vantagens, como o fornecimento de material rico em nutrientes que melhora o desenvolvimento de plantas, jardins e relvados; atua no solo como uma esponja, ajudando a reter a umidade e os nutrientes; melhora as características do solo; combate a erosão; reduz o uso de fertilizantes químicos; reduz a quantidade de resíduos em aterros sanitários, além de não exigir conhecimentos técnicos ou equipamentos.
“A região do Vale do São Francisco possui mais solos pobres em material orgânico devido às altas temperaturas, ao tipo de manejo utilizado com muita movimentação de solo com arações e gradagens”, explica Paulo Pinto.
Para ele, os produtores devem utilizar o processo de compostagem pelo menos uma vez ao ano em suas áreas agrícolas.
Além das vantagens listadas, o professor ressalta que “a compostagem ainda elimina agentes que provocam doenças nas plantas, sementes de infestantes, insetos e seus ovos”.
APRENDIZADO – O processo de compostagem é simples e pode ser feito por apenas uma pessoa em sua área. Uma parceria entre a Uneb e a Escola Agrotécnica de Juazeiro promove cursos que ajudam no conhecimento de técnicas utilizadas no campo. Um desses treinamentos foi realizado este mês com alunos interessados em aprender sobre o processo da compostagem. Os alunos conheceram todo o processo, o passo-a-passo dado pelo professor, de forma didática.
“A partir de restos de palheiros recolhidos no meio ambiente, prepara-se a primeira camada, com altura de 15 cm a 20 cm e irrigase moderadamente. Em seguida, coloca-se mais uma camada, mais delgada, com 1/3 da espessura em materiais ricos em nitrogênio e microorganismos para inocular (aprofundar) e favorecer o processo de decomposição”, orienta o professor.
E, nesta mesma camada, é feito o enriquecimento com outras matérias, pulverizando com cinza de madeira (potássio e micronutrientes), calcário dolomítico (cálcio e magnésio), terra urinosa de mangueirão, curral ou aprisco (ricas em ureia e microorganismos que favorecem a fermentação), e rochas fosfatadas (tipos de fosfatos naturais ou termofosfatadas), ressalta.
INSUMOS – O processo serve para minimizar o aporte de insumos externos que normalmente não são renováveis e podem poluir o meio ambiente. “Molha-se essa camada e repete-se o mesmo procedimento, podendo chegar a uma altura de 1,5 metro, com largura de até 2 metros e cumprimento, a depender do material que tiver disponível”.
Paulo Pinto informa que é preciso ter alguns cuidados no manejo, como manter umidade e ar nos primeiros 15 dias, fazendo pelo menos três revolvimentos durante o período que vai até 90 ou 120 dias, quando a compostagem já pode ser utilizada.
“A utilização desse material é de 20 a 30 toneladas por hectare para os solos muito pobres em material orgânicos, de 10 a 20 toneladas por hectare em solos de fertilização média e de 5 a 10 toneladas em solos ricos”.
ADUBAÇÃO VERDE– De acordo com Paulo Pinto, uma prática que não é usada, mas seria muito importante, é a adubação verde, que é o plantio de leguminosas (mucuna) em época de chuvas.
“Como o terreno ficará livre no período de chuvas, pode ser preparado de forma natural, com plantio da mucuna. Quando ela atingir tamanho ideal, deve ser ceifada e deixada sobre o terreno para enriquecer o solo”. Mesmo assim, não deve ser dispensada a técnica da compostagem.
Existem materiais, frisa, que não devem ser utilizados na compostagem: restos de comida, produtos lácteos, ervas daninhas com sementes, resíduos de animais de estimação, cascas de frutos secos, resíduos de plantas que foram tratadas com produtos químicos, cinzas de carvão ou pontas de cigarro.