A era digital está em alta nas lavouras com novos equipamentos

29/06/2009

A era digital está em alta nas lavouras com novos equipamentos

 


O principal desafio da moderna agropecuária é aumentar a produtividade e a produção, preservando ao máximo as riquezas naturais. Para isso, cada vez mais, o homem do campo se utiliza de avançadas ferramentas da Tecnologia da Informação, como aparelhos de GPS e softwares desenvolvidos especificamente para determinadas atividades.

Em uma rápida incursão pela história conhecida da humanidade, lembramos que, até o século XVIII, as ferramentas disponíveis eram rústicas enxadas e similares aperfeiçoados das pré-históricas pedras lascadas. Com o advento da máquina a vapor, na primeira fase da Revolução Industrial (entre XVIII e XIX) essas novidades alcançaram o campo, dinamizando o processo de produção agrícola.

Das primeiras e rudimentares máquinas utilizadas nos primórdios da mecanização às atuais, projetadas para a agricultura de precisão, nem se passou tanto tempo e as inovações, que permitiram a fixação das famílias antes nômades, levaram ao uso quase obrigatório de maquinários e equipamentos que potencializam a produção de matériaprima para abastecer o mercado globalizado.

De acordo com o presidente da Associação das Revendas de Máquinas e Implementos Agrícolas do Oeste da Bahia (Assomiba), Pedro Hersen, no cerrado do oeste baiano, onde, na safra 2008/2009, foram cultivados 1,7 milhão de hectares, “o produtor investe em tecnologia de ponta, com máquinas de última geração, porque sabe que o custo se paga com a otimização dos insumos e uniformização de alta produtividade”.

No entanto, não tem números sobre produtores que se utilizam destes modernos recursos.

DEMARCAÇÃO – Uma das ferramentas indispensáveis a este modelo de produção é o GPS, que, através de sinalização via satélite, permite demarcar toda a área. Hersen exemplifica, dizendo que a primeira providência é realizar a coleta de amostras do solo, que, através de um computador de bordo conectado à rede, são armazenadas com a exata posição geográfica.

Em cada talhão de 500 hectares, são demarcados uma média de 170 pontos. “Esses dados serão úteis principalmente na hora da correção do solo, pois, com um programa chamado Taxa Variável, os insumos serão espalhados na medida exata da necessidade de cada lugar”, diz, animado com a receptividade da classe produtora às inovações do mercado.

PROGRAMAS – Para o preparo do solo, um dos momentos determinantes de uma safra agrícola, ressalta o presidente da Assomiba, “muitos produtores estão optando por caminhões com calcariadeiras hidráulicas embutidas com o programa Taxa Variável. A distribuição se dá via leitura de um cartão que contém os dados das análises de solo mapeadas pelo GPS”. A economia em insumos e a padronização dos nutrientes no solo são os principais reflexos desses cuidados.

As plantadeiras, por sua vez, vêm com um sensível sistema que detecta a interrupção do despejo de cada uma das linhas na hora da semeadura.

“Se acontecer um defeito em uma das linhas e não sair a semente no painel, o operador será avisado através de um alarme e deverá parar a máquina e ver o que está acontecendo”, exemplifica Pedro Hersen. Com isso, as chances são mínimas de falha na semeadura.

FERRAMENTA – A pulverização de agroquímicos contra pragas e doenças, bem como para o reforço de componentes de fertilização foliar, conta com a ajuda de uma ferramenta conhecida como piloto automático. Mas isso ainda não significa que as máquinas sairão sozinhas dos galpões e farão o serviço sem a ajuda humana.

O piloto automático é um aparelho dotado com GPS e um programa, onde a área a ser atingida já está demarcada no sistema. Se a máquina sair da rota previamente estabelecida, o condutor perceberá, através do alerta emitido pelo aparelho.

“Desta forma, não acontece desperdício no caso da mesma área receber o produto mais de uma vez”, destaca Hersen.

Na colheita, última fase da produção na lavoura, não poderiam faltar novidades. Cada vez com plataformas adaptáveis para atingir uma área maior em número de linhas colhidas, as colheitadeitas também são rastreadas via satélite e vêm equipadas com sensores que transmitem ao computador de bordo a exata produtividade (produção por hectare) de cada talhão.

“É possível fazer o planejamento para a safra posterior, correção de solo e rotação de culturas”, afirma.

O Piloto Automático, diz, pode ser utilizado em todas as etapas, desde a semeadura até a colheita.