Município é o primeiro a produzir alimentos sem agrotóxicos, o que estimula a agricultura

29/06/2009

Município é o primeiro a produzir alimentos sem agrotóxicos, o que estimula a agricultura

 

Mata de São João é considerado um polo produtor de orgânicos e o primeiro município na Bahia a produzir alimentos sem agrotóxicos, graças à implantação do sistema natural do cultivo aplicado por Tomohide Takenami, descendente de japoneses, proprietário do Ecosítio Takenami e maior distribuidor de produtos orgânicos em Salvador e Região Metropolitana. Atuando no mercado há oito anos com plantação de verduras, legumes, frutas e hortaliças em uma área de 100 hectares, arrendada a 18 parceiros que trabalham e residem no Ecositio, Tomohide fala com entusiasmo sobre o trabalho realizado com os pequenos agricultores da região. “A cada ano aumenta o número de adeptos à cultura orgânica. Quando saímos em campo com todos os agricultores, ensinamos como conviver melhor com a natureza, principalmente nos momentos de intempéries climáticas. A adesão é quase imediata, além disso, temos um mercado seleto que paga bem por nossos produtos. Isso garante uma vida melhor para os que estão envolvidos”, comemora.

Graduado em Administração pela Ufba, Universidade Federal da Bahia, Tomohide Takenami ocupa o cargo de secretário municipal de Agricultura, atuando no segundo mandato.

“Contamos com o apoio da prefeitura através de cursos para os agricultores, com técnicos qualificados que fiscalizam a produção dos orgânicos e a aplicação correta do sistema. Em seguida enviam relatórios mensais para certificadora Mokitti Okada, o que garante a autenticidade dos produtos”, enfatizou.

Tomohide, que é presidente da AFOMA (Associação de Agricultores Familiares Orgânicos de Mata de São João), disse que a Associação Novo Encanto de Desenvolvimento Ecológico foi a primeira a dar apoio à implantação da feira orgânica de Salvador. “Os agricultores contam com orientação para a implantação do sistema orgânico e o estímulo para levar produtos a outras cidades, garantindo a abertura de novos mercados e um resultado financeiro positivo para o pequeno agricultor”, garantiu.

Florisvaldo Vieira da Palma, 53, produtor e revendedor, é presidente da Associação dos MATA DE SÃO JOÃO | Pequenos Produtores Rurais de Vila Itapicirica, de Mata de São João, disse que melhorou a saúde física e a vida financeira.

“Hoje tenho disposição para trabalhar e uma previsão de lucros. Acredito que aproximadamente 40% dos agricultores de Mata estão trabalhando no sistema orgânico. Os que ainda não aderiram, com certeza irão fazê-lo à medida que os resultados apareçam”, ressaltou.

Para o engenheiro agrônomo Biase Lauria Seabra, a produção orgânica beneficia o meio ambiente, pois, não contamina o solo e a água com agroquímicos, além de reduzir as doenças e mortes causadas pela exposição a esses produtos causadores de mortalidade e morbidade em todo o mundo.

“O sistema orgânico conserva a biodiversidade e os recursos naturais, melhora a fertilidade e a estrutura do solo. Portanto, aumenta a retenção da água e a resistência à tensão do clima, contribuindo para a adaptação às mudanças climáticas.

Também atenua esses fatores, pois exige menos energia do que a convencional, além de atuar como isolante do carbono, o principal gás causador do efeito estufa”, explicou Seabra.

Biase esclarece que a plantação orgânica diminui o custo de produção e eleva o lucro do agricultor, pois evita a compra de insumos externos, aproveitando todos os resíduos gerados no método. “O agricultor do sistema orgânico utiliza os estercos de animais, restos de folhas e a utilização de suas próprias sementes para o plantio, e defensivos feitos com materiais retirados da própria natureza. A plantação é feita com diversas espécies numa mesma área e a diversidade de produção, além de conservar o solo, gera uma renda mais contínua para o produtor com plantio de diversas culturas”, informou o agrônomo.

Tomohide explica que o custo de produção dos orgânicos é barato se comparado com o cultivo tradicional, porém os preços ainda são caros devido à grande procura dos produtos e pouca oferta. “Precisamos aumentar a produção ainda mais. Nosso objetivo é conscientizar o agricultor dos benefícios e lucros que se pode obter com o cultivo de orgânicos. Os produtores estabelecem preços praticamente iguais. A feira que acontece aos sábados começa às 5h da manhã e às 9h já escoou toda produção”, declarou.

Certificados pela Fundação Mokiti Okada e membros da Associação Novo Encanto de Desenvolvimento Ecológico, os produtos orgânicos cultivados no município são adubados com fertilizante orgânico produzido na Usina de Fertilizantes Orgânicos, com o apoio financeiro de parceiros